ReproduçãoMadre Teresa de Calcutá: ‘‘nas favelas vejo o Cristo sob o disfarce dos pobres’’A vida de Madre Teresa de Calcutá é tema de um lançamento da editora C Roka, de São Paulo. O livro, de Navin Chawla e do fotógrafo Raghu Rai, conta a vida e a obra da religiosa, já considerada santa por milhões de devotos em todo o mundo. A obra teve autorização da própria madre, que inclusive deu muitas entrevistas para o autor. No livro, estão reproduções de cartas e bilhetes enviados para o autor ao longo de 20 anos de relacionamento. Em um deles, Madre Teresa diz o seguinte:
‘‘Você já começou a rezar? Você precisa aprender a rezar. Sinta sempre, ao longo do dia, a necessidade da oração e dê-se ao trabalho de rezar. A prece amplia o coração, a ponto de conter a oferta que Deus faz de Si mesmo. Peça e procure, e seu coração crescerá até recebê-Lo e mantê-Lo para si. Ao ter aprendido a procurar por Deus, terá encontrado a fonte de grande santidade para você, sua família e aqueles que o cercam’’.
Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu na região de Skopje, atual capital da Macedônia, no dia 26 de agosto de 1910. Era filha de um rico comerciante, e aos 12 anos disse à mãe que desejava entrar para a igreja. Foi aos 18 anos que ela resolveu definitivamente fazer voto de castidade e dedicar-se exclusivamente à vida religiosa. Chegou à Índia em 1929, onde deu aulas para moças num sofisticado colégio em Entally. Madre Teresa, atendendo a um chamado de Deus, se muda para Calcutá e começa sua interminável missão de auxílio aos pobres. Em 1931, a então irmã Agnes fez seus três votos: pobreza, castidade e obediência. No ano de 1949, a religiosa funda a Ordem das Missionárias da Caridade, hoje presente em 111 países. Madre Teresa ganhou dois Prêmios Nobel da Paz. Morreu de ataque cardíaco em 1997, aos 87 anos. A seguir leia trecho de uma entrevista de Madre Teresa concedida a Navin Chawla:
Madre, ao analisar sua vida, diria que ela foi uma vida feliz?
Madre Teresa - A felicidade que ninguém pode tirar de mim. Nunca houve dúvidas ou tristezas.
Durante todos esses anos em que você esteve separada de sua própria família...
Madre Teresa - Onde? Foram todos para o céu. Não há mais ninguém na Terra.
Mas ao longo dos anos, apesar do sacrifício, há o vínculo humano.
Madre Teresa - Naturalmente. É claro que ninguém pode separá-lo. O bonito é que você se dá a Deus e isso é muito importante. ‘‘Se quiser se dar, meu discípulo, tome a cruz’’, diz Jesus. É muito simples, não há dificuldade.
De onde você tira sua força?
Madre Teresa - A missa é o alimento espiritual que me sustenta. Não conseguiria passar um só dia ou hora em minha vida sem ela. Na eucaristia, vejo Cristo sob a aparência do pão. Nas favelas, vejo Cristo sob o disfarce triste do pobre - nos corpos alquebrados, nas crianças, nos moribundos. É por isso que esta obra se torna possível.
Você já se sentiu humilhada?
Madre Teresa - Oh, sim, várias vezes. Publicidade também é humilhação.
Humilhação ou o reconhecimento de sua obra pelos pobres?
Madre Teresa - Humilhação, pois sabemos que nada temos. Você vê o que Deus fez. Creio que Deus deseja mostrar Sua grandeza usando o nada.
Vi uma foto sua em uma revista. Estavam lhe mostrando a Casa Branca em Washington, e você parecia encantada.
Madre Teresa - Estava pensando no espaço que há por lá. Gostaria de poder levar os meus pobres e encher casas. Vendo o vazio, sinto sempre vontade de preenchê-lo (risos).

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