Uma vida de sucessos
Richard Cragun poderia muito bem se postar no papel de estrela, se quisesse se manter de nariz empinado para o mundo. Aos 55 anos de idade e uma carreira fabulosa, ele tem direito a fazer e ser aquilo que bem entender. É, porém, uma pessoa simples, amável e muito bem-humorada. Nascido na Califórnia, aos 16 anos botou uma mochila nas costas, deixou sua casa, foi até Nova York e de lá para Londres. Eram os primeiros passos de quem iria ganhar o mundo.
‘‘Soberbo bailarino, um artista da categoria de Rudolf Nureyev ou Edward Villela’’, escreveu sobre ele Clive Barnes, após a apresentação do Ballet de Stuttgart, no Metropolitan Opera House, em Nova York, em 1969. Assim como John Cranko e Márcia Haydée, também Cragun tornou-se sinônimo do Stuttgart, onde ingressou em 1962.
A lista por onde ele passou com a companhia é extensa – vai desde o Metropolitan à æpera de Paris e ao Bolshoi. Como artista convidado atuou com o Royal Ballet, London Festival, Scala de Milão, Ballet Real da Dinamarca, Ballet do Século XX de Béjart, The Joffrey Ballet, American Ballet Theatre e outros tantos. Uma série de coreografias foram compostas especialmente para ele, que já fazem parte do repertório clássico mundial deste século, como ‘‘Requiem’’, ‘‘Carmen’’, ‘‘A Megera Domada’’, ‘‘Canção da Terra’’.
Foi partner de Márcia Haydée durante 33 anos, algo inédito na história da dança. Outras bailarinas com quem trabalhou foram Margot Fonteyn, Natalia Makarova, Carla Fracci, Lyn Seymour para citar algumas. No balé ‘‘Canção de um Companheiro Errante’’, de Béjart, dançou com Rudolf Nureyev, Egon Madsen, Jorge Donn e Paolo Bortoluzzi. Ao todo, foram mais de quatro mil apresentações em 150 papéis. (Z.C.L.)

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