Uma vida cheia de graça
PERFIL
Uma vida cheia de graça
Mario CesarRicardo Queirolo: durante muito tempo, seu picadeiro foi um estúdio de TVO cidadão Ricardo Otelo Queirolo integra uma das mais tradicionais famílias circenses do Brasil. Chic-Chic, Chicharrão, Torresmo, Pururuca, Harris e Gafanhoto, nomes famosos na história do picadeiro, foram companheiros do palhaço Picolino. A formação no ambiente circense deixou como herança o sentimento de companheirismo e união muito fortes na vida do artista.
Quando jovem, deixava platéias reféns do suspense e delírio, figurando no elenco dos acrobatas Diabos Brancos. Lídia, apoiada por Ricardo, dava 31 saltos mortais em 24 segundos. Pelo grau de dificuldade do número, é quase impossível surgir outro grupo que realize tamanha façanha reunindo equilíbrio, ritmo, harmonia e elasticidade. O artista, na concepção de Queirolo, vive em função do perigo.
Seu surgimento como palhaço foi da seguinte forma: O rapaz ficou doente, vá substituí-lo, disse o pai do jovem Ricardo Queirolo. O tal rapaz era o palhaço da trupe. Mesmo argumentando que não levava jeito, enfrentou o picadeiro. Entrava saltando e saía saltando, relembra. Da platéia, ouviu o comentário: esse palhaço não fala nada, mas pula muito bem. A necessidade obrigou-o a soltar o verbo. Não parou mais.
O que evidenciou a trajetória de Picolino é que seu picadeiro era dentro dos limites de um estúdio de televisão. Nenhum palhaço teve a oportunidade de ficar tanto tempo diante das câmeras, conclui Queirolo. De 1963 até 1993 Picolino alegrou algumas gerações de crianças. TV Coroados, TV Tibagi, TV Tropical e Rede Manchete foram as emissoras que transmitiram suas estrepulias, que durante 20 anos teve como escada o palhaço Castelinho.
Nessa semana, enquanto se preparava para a estréia do espetáculo, a Funarte, de São Paulo, entrou em contato com Ricardo Queirolo, cidadão honorário do Paraná e de Londrina, para que ele repasse à entidade fotos e informações valiosas sobre sua família. Tanta alegria e dedicação deve ficar registrada para a posteridade. (F.F.)





