Uma viagem poética ao passado
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terça-feira, 25 de maio de 2010
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Muitos brasileiros não têm como voltar às origens porque pouco ou nada sabem de seus ascendentes. Na semana passada, uma viagem no tempo permitiu o encontro de vários londrinenses com seus ancestrais. Um trabalho delicado, que aparece em ''Relicários'', oficina da artista plástica Paula Trope.
A caixa de relíquias da artista do Rio de Janeiro é uma pinhole gigante (câmera escura), que circulou por pontos históricos e turísticos londrinenses, como a Catedral Metropolitana, Mata do Godoy e Museu Padre Carlos Weiss.
A pinhole é uma câmera fotográfica sem lente (do inglês pin-hole ''buraco de alfinete''). A luz é captada através de um pequeno orifício.
Jovens e crianças descendentes de pioneiros entraram na câmera, que refletia imagens da cidade, enquanto eles mostravam fotografias e contavam histórias de família.
As marcas do tempo nas fotografias e na tradição oral familiar foram passaportes para o caminho de volta à própria história, enxergando que eles também são estrangeiros, como os ancestrais.
''Todos nós brasileiros viemos de tantos lugares diferentes e isso tem reflexos na nossa construção de valores e cultura. Gostaria que a população londrinense fizesse deste espaço um lugar de recuperação da memória, através dos depoimentos'', comentou Paula, durante a oficina realizada no Museu Padre Carlos Weiss.
Um pulinho no acervo fotográfico do Museu para buscar uma fotografia do bisavô, o pioneiro Arthur Thomas, gerente geral da Companhia de Terras Norte do Paraná, e o jornalista e produtor cultural londrinense Daniel Thomas Ferreira, 24 anos, visitou também o passado na pinhole.
Ele levou o filho Arthur França Thomas Ferreira, oito meses, tataraneto do pioneiro. ''A gente aprende a história na escola, mas, desde o jardim da infância sempre pediam para eu contar porque sou bisneto de Arthur Thomas. Já em família, ouviamos o que não está nos livros. São fatos engraçados e curiosos, como o nome de uma cidade da região que seria em homenagem a uma égua que a minha bisavó tinha'', comenta Daniel, filho de Janet, uma das filhas de Hugh, filho do pioneiro.
Daniel acredita que de certa forma é um continuador da trajetória de pioneirismo do ancestral. ''Quis ficar em Londrina. Os pioneiros queriam transformar a cidade em um polo cultural. Eu trabalho em um programa de rádio, tenho uma banda punk e me sinto preso à cidade porque tenho vontade de continuar participando desse processo''.
Paula Trope é formada em Cinema pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Técnicas Poéticas em Imagem e Som pela Universidade de São Paulo (USP). A artista também realiza oficinas com populações de favelas e moradores de rua.
''Com a tecnologia digital a fotografia tem um papel experencial. Aqui nesta oficina temos uma mistura de coisas. Todos os registros são feitos digitalmente, mas tudo começa por conta da câmera escura do século XV. É uma mistura de meios pertinente'', comenta Paula.


