Uma viagem pelos números
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de outubro de 1997
Marcos Losnak Especial para a Folha Dois 
Impressionante. Talvez seja esta a melhor palavra para definir a obra de Georges Ifrah, História Universal dos Algarismos. Dividida em dois extensos volumes, o primeiro deles está sendo lançado pela Editora Nova Fronteira. Nas palavras do autor, o objetivo da obra é responder em termos simples e acessíveis e da maneira mais completa possível a todas as questões que o público se coloca com respeito à história dos algarismos e do cálculo, evolução complexa e multiforme que se estende da pré-história à era dos computadores.
Enciclopédica, a História Universal dos Algarismo está organizada em capítulos temáticos que podem ser lidos sem necessidade cronológica. O Tomo I apresenta a origem da necessidade da invenção dos algarismos em várias civilizações, a mão como primeira máquina de calcular, o sistema numérico em nós de barbantes dos incas, o uso dos entalhes e pedras, a invenção da moeda, os sistemas dos sumérios, mesopotâmios, egípcios, gregos, romanos, judeus, chineses, maias, e muito mais. O Tomo II, a ser lançado na sequência, apresenta os algarismos na civilização indiana (considerada o berço a numeração moderna), os algarismos indo-arábicos, a história do cálculo aritmético até o cálculo binário, chegando aos computadores. Tudo sem deixar de lado as implicações místicas, religiosas e mágicas que envolvem os números nas mais díspares civilizações.
O zero A história dos algarismos, assim como a história da escrita, é parte determinante na história da humanidade. Para se ter uma idéia, a história dos números é dividida em duas partes, antes de depois da invenção do zero. Sua invenção, que levou muito tempo, foi um divisor de águas. A noção do nada, do zero abstrato, alterou a própria consciência humana.
Georges Ifrah nasceu no Marrocos e cresceu na França. Professor de Matemática no segundo grau, ouvia muitas perguntas em sala de aula dos alunos. Indagações como de onde vêm os algarismos? ou quem inventou o zero? impulsionaram-no a estudar o assunto. Mergulhou de cabeça na história dos números. Viajou pelo mundo inteiro procurando informações nos mais diferentes países, nas mais variadas culturas, da Índia ao México, da China ao Peru, dos Estados Unidos ao Egito. Como não possuía nenhum patrocínio, pagava suas longas viagens trabalhando como vigia de hotel, garçom, motorista, office-boy, e outras coisas. Visitou famosos museus, bibliotecas célebres e sítios arquelógicos importantes. Chamava isso de apaixonantes expedições numérico-etnográficas e algarismo-arqueológicas. Depois de muitos anos, reuniu todo o material de sua pesquisa em História Universal dos Algarismos - A inteligência dos Homens Contada pelos Números e pelo Cálculo, obra que, pela riqueza de informações, não tinha precedentes.
História Universal dos Algarismos - Tomo I - de Georges Ifrah, Editora Nova Fronteira, tradução de Alberto Munhoz e Ana Beatriz Katinsky, 735 páginas, R$ 39,00.


