Uma viagem pela história
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de janeiro de 2007
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Lapa é um município charmoso, bem perto de Curitiba. Já foi cenário de filme - com locações nos longas ''O Preço da Paz'', de Paulo Morelli e no recém-lançado ''Cafundó'', dirigido por Paulo Betti - e ostenta uma qualidade rara: a preservação de seus bens culturais. Um passeio pelo parte central do município, que tem pouco mais que 45 mil habitantes, é também um passeio pela história. Em poucos metros de distância é possível encontrar prédios como o Teatro São João, fundado em 1873 e que guarda as mesmas características da época e a Igreja Matriz de Santo Antônio, de 1784. Agora, é possível conhecer todas esse cenário (e também suas histórias) sem necessariamente ir até o local.
O livro ''Lapa - Tropas e tropeiros: caminhos da história'' (Editora Educon), de Maria Inês Borges da Silveira traz detalhes da construção de cada edificação histórica do município e ainda destila os detalhes que transformaram o município em ponto de referência no Paraná.
A Lapa fica a 71 quilômetros de Curitiba. A região foi cenário de conflito (Cerco da Lapa) e também fez parte do Caminhos dos Tropeiros, a estrada que ligava o Rio Grande do Sul a São Paulo no século 19. Atualmente poderia ser um município como qualquer outro, mas uma iniciativa política do final dos anos 90 transformou a cidade num dos municípios mais preservados do Estado.
Em 1989, os prédios da Lapa foram tombados pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Além do teatro e da igreja, já citados, destacam-se o Panteon dos Heroes, a Casa Lacerda, a Casa da Memória e a Casa da Câmara (antiga cadeia). São 14 quarteirões com 235 imóveis, mas nem todos estão totalmente recuperados. Os mais importantes e já citados passaram por uma criteriosa reforma e o mais interessante é que ficam localizados numa área em que todos os postes de luz tem fios subterrâneos. Um convite para a memória e também para a cultura, já que é um ótimo cenário para filmes de épocas.
Mas não são apenas as quadras recuperadas que transportam o visitante ao passado. Cada prédio ainda preserva sua história. O Teatro São João, por exemplo, ainda mantém as mesmas características de quando foi fundado e de quando recebeu, em 1880, a visita do Imperador Dom Pedro II. O teatro chegou a funcionar como sala de aula e, na época da Revolução Federalista, serviu como base para atender aos feridos na batalha do Cerco da Lapa. Nessa época era utilizado um túnel que saia do primeiro camarote e que hoje, fechado, serve para alimentar a imaginação de quem visita o espaço.
Cada visita, aliás, é acompanhada por um monitor que explica cada característica histórica do local. O mesmo não acontece em todos os prédios. Na Igreja Matriz de Santo Antônio, é preciso silêncio par apreciar a beleza da arquitetura e da decoração local. Construída em 1784, a igreja é o marco arquitetônico mais antigo da cidade. Sua construção utiliza pedras retiradas da Serra do Monge. No local foram sepultados os coronéis Gomes Carneiro e Cânido Dulcídio, mortos em combate durante o Cerco da Lapa. As ossadas foram posteriormente trasnferidas para o Panteon dos Heroes.
Todos esses detalhes são descritos no livro. Além das características das principais edificações da Lapa, a obra ainda traz informações sobre a cultura local, que resiste ao tempo, como a Congada da Lapa, uma das mais importantes expressões do folclore paranaense. Hoje a Congada tem apoio da iniciativa privada e suas apresentações ainda acontecem anualmente.
A Congada e as demais representações que marcam a históriada Lapa também estão devidamente registradas no livro, que teve apoio da Lei Rouanet para ser editado. A autora é presidente do Instituto Histórico e Cultural da Lapa e escreveu o livro em parceria com Valéria Borges da Silveira. As fotografias são assinadas pelo fotógrafo Gaio. O livro sera distribuído para as principais bibliotecas do País e também vai estar à venda nas instituições culturais do município.


