Curitiba - Para quem gosta de Música Popular Brasileira (MPB) e está na faixa dos 40 anos, o músico Lô Borges dispensa apresentações. Integrante da família Borges, mineiros com arte nas veias, Lô, ou melhor, Salomão Borges Filho foi um dos fundadores de um dos momentos mais bonitos da MPB: o Clube da Esquina. O ano era 1972. A época era da mais alta qualidade de músicas e letras, que acabavam de pipocar em diferentes movimentos, como a Bossa Nova e a Tropicália.
No meio desse caldeirão de criatividade, o Clube da Esquina nasceu com o mais genuíno jeitinho mineiro: do encontro de jovens que costumavam se reunir para cantar e fazer músicas em frente à casa da família Borges. O local era o bairro boêmio de Santa Tereza, em Belo Horizonte, na esquina de ruas que não podiam combinar um encontro mais feliz de palavras: Divinópolis e Paraisópolis.
Garotos, então com 18 anos, como Lô Borges e Beto Guedes, misturavam-se a outros um pouco mais experientes, como Toninho Horta, Flávio Venturini e um tal de ''Bituca'', apelido de Milton Nascimento já famoso graças a suas apresentações nos festivais de canção da época.
Depois de deixar sua marca em uma geração, Lô Borges mostra que sua musicalidade continua atual e começa, inclusive, a agradar um novo público. Sua inserção entre ''os filhos'' do Clube da Esquina começou em meados de 1996, com o disco ''Meu Filme'', quando Lô inicia sua bem sucedida parceria com a banda mineira Skank, principalmente com Samuel Rosa, de quem regravaria ''Te Ver''.
Lô Borges, aliás, surpreende quando afirma que considera este disco o mais emblemático de sua carreira. É verdade que ''Meu Filme'' dá um show de arranjos e composições. O disco foi gravado quase todo com voz, violão e percussão a cargo do mestre Marcos Suzano e do grupo Uakti. Milton Nascimento toca sanfona em ''Alô'', parceria dos dois, Caetano Veloso assina a letra de ''Sem Não'' e Chico Amaral, principal letrista do Skank, assina a faixa título com Lô.
Mas os 30 anos de carreira comemorados por Lô Borges este ano é inteira marcada por sucessos. Não bastassem as composições inesquecíveis dos mineiros do Clube da Esquina, como ''O Trem Azul'', ''Cais'', ''Paisagem da Janela'', ''Nada Será Como Antes'', ''Saídas e Bandeiras'', registradas em dois discos, várias músicas de Lô Borges ganharam interpretação de estrelas como Elis Regina e o próprio Milton.
Seu trabalho mais recente é o disco ''Feira Moderna''. Lançado no ano passado, o disco traz regravações de alguns de seus maiores sucessos, além da gravação inédita da faixa-título, uma parceria sua com Beto Guedes e Fernando Brant. O disco também conta com participações especiais de Edgard Scandurra a Samuel Rosa.
''Paisagem da Janela'', show que Lô Borges apresenta amanhã, no Sesc da Esquina, em Curitiba, não podia ter nome mais apropriado. Para os mais velhos, ele promete uma viagem, como se as velhas canções do Clube da Esquina passassem pela janela do trem azul. Para os mais moços, além da chance de conhecer a genialidade de Lô Borges há também a expectativa de ouvir suas parcerias com integrantes do Skank.
Serviço:
Lô Borges com o show ''Paisagem da Janela''
Amanhã, às 21 horas. Teatro do SESC da Esquina (Rua Visconde do Rio Branco, 969). Ingressos: R$ 15,00 para não comerciários, R$ 12,00 para comerciários e estudantes e R$ 10,00 para ingressos adquiridos até hoje

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