UMA VIAGEM ÀS ORIGENS DA MÚSICA BRASILEIRA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de outubro de 2001
Rodrigo Souza Grota<br> De Londrina 
Contar a história de dois dos principais compositores da história da música brasileira. Eis o objetivo do espetáculo cênico-musical ''Nazareth e ... Ernesto'', dirigido pelo londrinense Marco Antonio de Almeida e produzido pela Vivarte Produções Culturais, e que estréia amanhã, no Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina, a partir das 20h30.
A vida e a obra de Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga serão apresentadas em 1h15 da mais refinada música popular, incluindo oito composições do pianista carioca (''Odeon'', ''Sarambeque'', ''Fon-Fon'', ''Coração que Sente'', ''Confidências'', ''Brejeiro'', ''Você Bem Sabe'' e ''Apanhei-te Cavaquinho''), três da primeira maestrina brasileira (''Ô Abre Alas'', ''Lua Branca'' e ''Corta-Jaca''), uma do flautista Joaquim da Silva Callado (''Flor Amorosa''), uma de Sílvio Caldas (''Chão de Estrelas''), e ''Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro'', de Del. M. Gottschalk.
Além desse repertório formado por polcas, valsas e maxixes, Marco Antonio avisa que haverá uma grande surpresa ao público no final do espetáculo. Para contar a trajetória dos dois compositores, o diretor elaborou um texto biográfico junto ao crítico literário da Folha2, Marcos Losnak, e convidou os atores Genézio de Barros e Lívia de Oliveira, além do londrinense Remir Trautwein, que será o narrador da história.
Genézio é ator de teatro e cinema, tendo trabalhado por dez anos com o grupo Tapa de São Paulo e participado de produções como ''Ação Entre Amigos'', de Beto Brant, e ''Quase Nada'', de Sérgio Rezende. Lívia participou da montagem de ''Alice Através do Espelho'', dirigida por Paulo de Moraes, passou um ano em Londres estudando teatro e agora retorna aos palcos londrinenses.
Acompanhando o piano de Marco Antônio, estará uma Orquestra de Música Popular Brasileira formada por 12 músicos (incluindo a cantora curitibana Helena Bel) e regida pelo carioca Roberto Gnatalli, sobrinho do mestre Radamés. ''Ele não é um compositor esquecido, mas é pouco tocado'', diz o maestro sobre a situação contraditória que envolve Nazareth. Criador que está no mesmo patamar de Pixinguinha e Noel Rosa, o músico carioca deixou 350 músicas escritas, ''mas a grande obra dele é desconhecida'', lamenta o músico.
Marco Antonio diz que as composições de Nazareth e Chiquinha representam o nascimento da música popular brasileira, uma releitura de ritmos que vinham da Europa e que no País ganham uma nova roupagem. ''Foi assim que o maxixe surgiu, aproximando o corpo dos dançarinos e causando escândalo à sociedade da época'', explica Marco Antônio, referindo-se a uma sociedade que não permitia que uma relação tão próxima fosse apresentada em palcos e salões.
Esse jeito único de dançar será representado por seis bailarinos do Ballet de Londrina, coreografados por Leonardo Ramos. Os figurinos do espetáculo são do estilista londrinense Nélio Pinheiro; a assistência de direção , de Cláudio Rodrigues; e a consultoria artística, de Roberto Koln.
Nazareth nasceu em 20 de março de 1863, no morro do Nheco, no Rio de Janeiro. De origem humilde, e gostos sofisticados - ele ouvia Chopin, Mozart e Beethoven -, realizou os primeiros estudos de piano com a mãe, herdando dela a apreciação por ritmos populares, como a polca. Apesar dessa paixão pelo popular, Ernesto é considerado um músico erudito. Sua vida não foi muito fácil - tocou em festas, em casas de músicas, deu aulas e passou cinco anos se apresentando no Cine Odeon, tradicional palco cinematográfico carioca.
Chiquinha nasceu antes, em 17 de outubro de 1847, também no Rio. Filha de aristocratas, é considerada uma das primeiras feministas brasileiras - tendo lutado pela abolição dos escravos. Em 1877, aos 35 anos, compôs o seu primeiro sucesso, a polca ''Atraente''. Dedicou-se ao teatro de variedades, compondo a música de 77 peças teatrais.
''Nazareth e... Ernesto'' também será apresentado em mais quatro cidades. No domingo, no Teatro Marista, em Maringá; na segunda, no Teatro Guaíra, em Curitiba; na próxima quarta-feira, no Marista novamente, em Ponta Grossa; e na próxima quinta, em Cascavel, em Praça Pública. Em todas as cidades, os ingressos custam um quilo de alimento não perecível, assim como em Londrina.
(Colaborou Zeca Corrêa Leite, de Curitiba)
''Nazareth e... Ernesto''. Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, n.º 85), em Londrina; amanhã e sábado, às 20h30. Ingressos podem ser retidados na rua Hugo Cabral, n.º 35 ( telefone (43) 323-5770); na rua Chile, n.º10A (telefone (43) 375-2157); ou no dia do espetáculo (no teatro), com um quilo de alimento não perecível. Realização: Vivarte Produções Culturais. Patrocínio: Copel e Petrobrás, por meio da Lei Federal de Incentivo À Cultura - Lei Rouanet; Lei Municipal de Incentivo à Cultura; Programa Conta Cultura da Secretaria de Estado de Cultura do Paraná. Apoio Cultural: A.Yoshii Engenharia, Casa de Cultura da UEL, Café Londrinense e Águas Maceratti.


