Contar a história de dois dos principais compositores da história da música brasileira. Eis o objetivo do espetáculo cênico-musical ''Nazareth e ... Ernesto'', dirigido pelo londrinense Marco Antonio de Almeida e produzido pela Vivarte Produções Culturais, e que estréia amanhã, no Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina, a partir das 20h30.
A vida e a obra de Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga serão apresentadas em 1h15 da mais refinada música popular, incluindo oito composições do pianista carioca (''Odeon'', ''Sarambeque'', ''Fon-Fon'', ''Coração que Sente'', ''Confidências'', ''Brejeiro'', ''Você Bem Sabe'' e ''Apanhei-te Cavaquinho''), três da primeira maestrina brasileira (''Ô Abre Alas'', ''Lua Branca'' e ''Corta-Jaca''), uma do flautista Joaquim da Silva Callado (''Flor Amorosa''), uma de Sílvio Caldas (''Chão de Estrelas''), e ''Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro'', de Del. M. Gottschalk.
Além desse repertório formado por polcas, valsas e maxixes, Marco Antonio avisa que haverá uma grande surpresa ao público no final do espetáculo. Para contar a trajetória dos dois compositores, o diretor elaborou um texto biográfico junto ao crítico literário da Folha2, Marcos Losnak, e convidou os atores Genézio de Barros e Lívia de Oliveira, além do londrinense Remir Trautwein, que será o narrador da história.
Genézio é ator de teatro e cinema, tendo trabalhado por dez anos com o grupo Tapa de São Paulo e participado de produções como ''Ação Entre Amigos'', de Beto Brant, e ''Quase Nada'', de Sérgio Rezende. Lívia participou da montagem de ''Alice Através do Espelho'', dirigida por Paulo de Moraes, passou um ano em Londres estudando teatro e agora retorna aos palcos londrinenses.
Acompanhando o piano de Marco Antônio, estará uma Orquestra de Música Popular Brasileira formada por 12 músicos (incluindo a cantora curitibana Helena Bel) e regida pelo carioca Roberto Gnatalli, sobrinho do mestre Radamés. ''Ele não é um compositor esquecido, mas é pouco tocado'', diz o maestro sobre a situação contraditória que envolve Nazareth. Criador que está no mesmo patamar de Pixinguinha e Noel Rosa, o músico carioca deixou 350 músicas escritas, ''mas a grande obra dele é desconhecida'', lamenta o músico.
Marco Antonio diz que as composições de Nazareth e Chiquinha representam o nascimento da música popular brasileira, uma releitura de ritmos que vinham da Europa e que no País ganham uma nova roupagem. ''Foi assim que o maxixe surgiu, aproximando o corpo dos dançarinos e causando escândalo à sociedade da época'', explica Marco Antônio, referindo-se a uma sociedade que não permitia que uma relação tão próxima fosse apresentada em palcos e salões.
Esse jeito único de dançar será representado por seis bailarinos do Ballet de Londrina, coreografados por Leonardo Ramos. Os figurinos do espetáculo são do estilista londrinense Nélio Pinheiro; a assistência de direção , de Cláudio Rodrigues; e a consultoria artística, de Roberto Koln.
Nazareth nasceu em 20 de março de 1863, no morro do Nheco, no Rio de Janeiro. De origem humilde, e gostos sofisticados - ele ouvia Chopin, Mozart e Beethoven -, realizou os primeiros estudos de piano com a mãe, herdando dela a apreciação por ritmos populares, como a polca. Apesar dessa paixão pelo popular, Ernesto é considerado um músico erudito. Sua vida não foi muito fácil - tocou em festas, em casas de músicas, deu aulas e passou cinco anos se apresentando no Cine Odeon, tradicional palco cinematográfico carioca.
Chiquinha nasceu antes, em 17 de outubro de 1847, também no Rio. Filha de aristocratas, é considerada uma das primeiras feministas brasileiras - tendo lutado pela abolição dos escravos. Em 1877, aos 35 anos, compôs o seu primeiro sucesso, a polca ''Atraente''. Dedicou-se ao teatro de variedades, compondo a música de 77 peças teatrais.
''Nazareth e... Ernesto'' também será apresentado em mais quatro cidades. No domingo, no Teatro Marista, em Maringá; na segunda, no Teatro Guaíra, em Curitiba; na próxima quarta-feira, no Marista novamente, em Ponta Grossa; e na próxima quinta, em Cascavel, em Praça Pública. Em todas as cidades, os ingressos custam um quilo de alimento não perecível, assim como em Londrina.
(Colaborou Zeca Corrêa Leite, de Curitiba)
• ''Nazareth e... Ernesto''. Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, n.º 85), em Londrina; amanhã e sábado, às 20h30. Ingressos podem ser retidados na rua Hugo Cabral, n.º 35 ( telefone (43) 323-5770); na rua Chile, n.º10A (telefone (43) 375-2157); ou no dia do espetáculo (no teatro), com um quilo de alimento não perecível. Realização: Vivarte Produções Culturais. Patrocínio: Copel e Petrobrás, por meio da Lei Federal de Incentivo À Cultura - Lei Rouanet; Lei Municipal de Incentivo à Cultura; Programa Conta Cultura da Secretaria de Estado de Cultura do Paraná. Apoio Cultural: A.Yoshii Engenharia, Casa de Cultura da UEL, Café Londrinense e Águas Maceratti.

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