Entre dois territórios, a razão e a emoção estão em espetáculos como ''Umbral'', que a companhia Teatro delle Radicci, da Suíça, estréia hoje no Filo, com reapresentações até sábado, às 19h, no Teatro Zaqueu de Melo. O primeiro lugar nem todas as pessoas têm acesso, mas, no segundo, todos podem entrar.

A montagem traz ao festival londrinense, o solo da diretora e atriz argentina Cristina Castrillo que, com quase 40 anos dedicados a arte teatral, iniciou a carreira no Libre Teatro Libre, um dos grupos mais importantes da América Latina.

Exilada política, a diretora, primeiramente, permaneceu um ano na Venezuela, dois na Espanha, chegando à Suíça em 1980. Atualmente, ela mora em Lugano onde a companhia mantém um trabalho de investigação teatral, através da Escola Laboratório para atores estrangeiros.

Ela realiza workshops em vários países como Europa, América Central e Latina, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, publicando ainda os livros ''Actor-Autor'', ''Los Senderos del Agua'' e a ''Trilogia de la Ausencia'', com textos das obras que criou até 2005.

''Umbral'' é uma viagem em que a atriz parte sozinha por uma necessidade de refletir o próprio trabalho. ''A melhor maneira de pensar é fazendo. Geralmente, eu faço para mim, de vez em quando, uma montagem para atuar. É uma necessidade que tenho de refletir o trabalho. Há que ter razões mais pessoais e humanas e menos teatral'', afirma Cristina, acrescentando que ao encontrar algumas respostas surgem sempre outras perguntas, o que faz de ''Umbral'' um espetáculo que não é só intelectual, mas físico e orgânico.

''A palavra viagem na montagem e na própria companhia é um conceito muito presente. Construir um espetáculo para os outros também é construir uma viagem'', acrescenta Cristina, que já se apresentou em 28 países.

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