Uma viagem à educação
Educadores e pensadores vêm destacando a importância de se buscar novos rumos na área de educação. Um ser que domine o seu potencial de criação e que esteja apto para vivenciar as situações que irá encontrar no decorrer de sua vida, das mais corriqueiras às mais complexas. Parece a busca de um ideal utópico, mas é bem mais simples e possível do que possamos imaginar.
A educação escolar fundamentada na aprendizagem prazerosa, aliada à educação familiar, pode ser a chave para chegarmos a um ser humano mais saudável, maduro e solidário. No processo de aprendizagem, o respeito pelo potencial e o interesse do indivíduo é fundamental para despertar na criança o prazer pelo saber.
Estudiosos que voltaram seu olhar para o processo de desenvolvimento da criança já sentenciaram: a criança aprende por si só, quanto menos o adulto interferir, mais estará ajudando. Transformar o aprender em uma atividade prazerosa, que instigue e atraia o educando, é um desafio que já tem muitos adeptos. Projetos neste sentido vêm sendo realizados pelo Sesc/Aeroporto há algum tempo.
DivulgaçãoNo cenário do mundo da fantasia, aprender é mais gostosoO Sescriarte é um deles. Idealizado pela técnica social do Sesc/Aeroporto, Renata Moratto, o projeto está em seu terceiro ano. As duas primeiras edições foram desenvolvidas nos anos de 1995 e 1996. A idéia cresceu e a terceira edição do projeto levou dois para ser concebida, devido à sua dimensão. O resultado foi testado e aprovado por crianças de dois a 12 anos e por professores de diversas escolas de Londrina, durante toda esta semana.
A preocupação da idealizadora é justamente lançar para os professores alternativas para ensinar conceitos pedagógicos complexos de uma forma lúdica, fazendo com que a criança sinta-se motivada a aprender. Para isto, Renata Moratto, com uma equipe de 40 pessoas, entre técnicos do Sesc/Aeroporto, estudantes de educação artística e música da Universidade Estadual de Londrina e do magistério, montou um verdadeiro universo mágico baseado nos programas infantis da TV Cultura.
Passei dois anos devorando estes programas. Eu queria mostrar que a televisão também tem opções saudáveis para as crianças e transportei estas opções da telinha para a realidade, explica Renata Moratto. Norteada por programas como o Castelo Rá-Tim-Bum, X Tudo, entre outros, ela criou 10 espaços ao ar livre e nas salas do Sesc/Aeroporto.
DivulgaçãoFazendo e aprendendo: entrevistas que vão ao arCada um destes espaços foi denominado de estação. Em cada uma delas a criança entra em contato com os mais diversos conceitos pedagógicos - matemática, artes, história, música - de uma forma lúdica. A viagem começa em um avião montado no pátio do Sesc/Aeroporto, onde a criança entra e é convidada por um piloto a viajar pela magia do Sescriarte.
Ela pula do avião para uma cama elástica com o auxílio do piloto, devidamente caracterizado. Em seguida a criança passa por um enorme túnel de pano colorido e dá de cara com o Castelo Rá-Tim-Bum, construído com lona de circo e com a fachada idêntica ao castelo do programa da TV Cultura. Elas tocam a campainha e são atendidas pelo porteiro de lata, que pede a senha para que possam entrar.
Esta senha pode ser a imitação de um bicho, do som de um instrumento, uma mímica. Só depois de fazer o que o porteiro de lata pede é que as portas do castelo se abrem. Lá dentro elas assistem à peça O Que Tem Depois do Mar, encenada pelo grupo de Curitiba Os Espaçonautas. Os personagens são palhaços, com figurinos que encantam as crianças, que as convidam para descobrir o que existe depois do mar.
No fim da peça todas as crianças saem do castelo dentro de uma enorme cobra de pano colorido: a Araci. E partem para as seguintes estações: Lá Vem História, Dedolândia, Caixa de Música, Criança Repórter e Vídeo Clip Educativo, Mãos que Contam Histórias, Fábrica de Brinquedos, Desenho Mágico, Que Som é Esse, De Papo com a Arte, Recreação e Cultura.
Nas duas primeiras estações - Avião e Castelo - todas as crianças viajam juntas, cerca de 300, a partir daí elas se separam em grupos de 10 e fazem rodízio entre as outras estações. Para fazer com que a criança mergulhe na imaginação, não foram poupados esforços. Todas as estações são cenários ricos em detalhes criados a partir de materiais do dia-a-dia, sendo a maioria sucata. Ao entrar em cada espaço, elas se transportam para um mundo de fantasia e descobrem que aprender é bem divertido.
Renata Moratto explica que as crianças permanecem no máximo 15 minutos em cada atividade. É possível explorar muito mais cada uma das estações. Este é apenas um pontapé inicial que deve ter continuidade nas escolas, afirma. Por isso os professores participam da viagem junto com os alunos.
Os professores recebem um projeto detalhando o funcionamento de cada estação e sugerindo formas de dar continuidade ao trabalho na sala de aula. O objetivo é interferir para que aos poucos o aprendizado lúdico seja inserido nas escolas, afirma Renata Moratto. Ela chama a atenção também para a falta de eventos artístico culturais para o público infantil em Londrina. Este foi um dos motivos que me levaram a criar o Sescriarte. A idéia deu tão certo que será transformada em um projeto itinerante, visitando todas as unidades do Sesc no Paraná. Uma viagem irresistível, que as crianças de dois a 12 anos ainda podem fazer hoje, último dia do Sescriarte Ano 3.Roberto Reintenbach/DivulgaçãoOs Espaçonautas: palhaços convidam as crianças para descobrir o que existe depois do marÉrika Pelegrino





