UMA TRUPE DE FINO TRATO
Jackeline Seglin
De Curitiba
Na boléia do caminhão, a trupe mineira do Armatrux volta a Curitiba para contar histórias dos Andarilhos do Repente, desta vez no 9º Festival de Teatro de Curitiba. Eles desembarcam no Sesc da Esquina para mostrar no palco as aventuras e desventuras de dois grupos mambembes que se encontram numa praça e resolvem seguir viagem juntos.
O próximo destino do grupo é a Lua, onde os cinco saltimbancos se deparam com vários problemas: se atrasam e perdem o ônibus, são atacados por mosquitos da violência e por germes da evangelização em massa. Quando conseguem retornar à Terra, finalmente se apresentam num picadeiro a céu aberto. É uma colcha de retalhos. Cada um assume um papel, abordando temas variados do dia-a-dia, explica o diretor Gabriel Guimard.
A pesquisa vem da idéia do palhaço de teatro, que seria a alma de todos os personagens. Essa é a essência (onde entra a improvisação e o contato com o público), que vem complementada pelas várias coreografias criadas pelos atores, utilizando capoeira, acrobacias e instrumentos musicais, conta Guimard. O trabalho do diretor trilhou pela busca de uma estética brasileira, caracterizada pelos vários elementos de cena, como as músicas interpretadas pelos atores.
O espetáculo também será apresentado ao ar livre no domingo, às 16 horas, no Parque Barigui. Há um ano, Andarilhos do Repente fixou-se como espelho do próprio Armatrux. É que, para botar o pé na estrada, o grupo adquiriu um caminhão anos 70, batizado de Transportrux. É como se tivéssemos encarnado os personagens da peça. E com o caminhão, vamos na direção que o vento levar, conta o ator Rodrigo Capanema.
A companhia mineira foi criada em 1991, com uma proposta de trabalho de integração de diversas linguagens, resultando em um teatro de formas e movimentos. Para esta montagem, a proposta é realizar um Teatro de Imagem, buscando a integração entre o Teatro de Animação e o Teatro Físico utilizando bonecos, teatro de objetos, mímica, circo, capoeira e dança.
A peça, com 60 minutos de duração, é baseada no livro Os Colegas, de Lygia Bojunga Nunes, uma das maiores escritoras de livros infantis do Brasil (autora de A Bolsa Amarela e ganhadora do prêmio Hans Christian Andersen, o maior prêmio mundial da literatura infantil).
Com Andarilhos do Repente, que estreou em 1997, o grupo mineiro realizou várias viagens, inclusive uma turnê pelo sul do País. Em novembro, depois de ser apresentado em Foz do Iguaçu e em escolas de Curitiba, o espetáculo marcou o lançamento do projeto Filo 2000 Ano 0 De Todas as Artes em Londrina.
FICHA TÉCNICA
Texto e direção: Gabriel Guimard
Elenco: Andrea Caruso, Eduardo Machado, Grace Anne Pasô, Paula Manata e Rodrigo Capanema
Coreografias: Rogério Câmara
Figurinos: Wanda Sgarbi
Iluminação: Núcleo Técnico de Artes CênicasO grupo mineiro Armatrux desembarca no festival com Andarilhos do Repente,
que trata das aventuras de dois grupos mambembes
DivulgaçãoAndarilhos do Repente: o palhaço é a figura central de um espetáculo que utiliza acrobacias, capoeira e instrumentos musicais





