Algum momento avançado deste século. A calota polar derreteu e submergiu indistintamente megalópoles e patrimônios da humanidade, como Nova York e Veneza. Os humanos evoluíram para uma sociedade fria e artificial habitada também por sofisticados robôs quase-pessoas. Quase. David é o primeiro garoto totalmente sintético programado para amar. Entregue a um casal cujo filho foi congelado por causa de doença incurável, David acaba sendo incomodamente afetivo, e é descartado num bosque. Começa aí a aventura emocional do rejeitado andróide em busca de um mundo em que possa ser algo além de um amotoado de fibras e cabos computadorizados.
Superficialmente, ''A.I.'' se parece com alguns dos filmes precedentes de Spielberg. Por exempo, é difícil resistir à comparação com iniciais bem mais famosas (''E.T'', 1982), já que ambos os filmes têm uma delicada criança como protagonista e estão num contexto de ficção científica. Mas as semelhanças terminam aí. Enquanto ''E.T.'' era apenas um encantador conto de fadas ligeiramente umedecido por lágrimas, ''A.I'' é um desconcertante dueto entre concepções estéticas e filosóficas de difícil, doloroso convívio. Afinal, nada em comum, nenhuma afinidade entre Nietzsche e Carlo Collodi, ou Zaratustra e Pinóquio.
Haley Joel Osment, testado e aprovado em ''O Sexto Sentido'', volta a impressionar como o robô carente David. Sem a presença de Spielberg - o diretor mandou uma video-mensagem justificando a ausência: motivos profissionais e familiares -, cercado de atenções, mimado e paparicado durante a entrevista coletiva ontem em Veneza, o pequeno Haley cumpriu à risca o papel de mini-vip, falou de suas leituras preferidas, da carreira que pretende levar longe, do trabalho sob a direção de Spielberg.(C.E.L.J.)

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