Quando compõe trilhas sonoras, Marco Tureta não está apenas compondo um acompanhamento para tocar junto com uma coreografia, peça ou qualquer outra coisa. Ele está fazendo uma música que atue como um elemento a mais. Nada que ofusque, que chame a atenção sobre si, mas também nada que soe neutro. É como se ele pusesse um refletor a destacar com mais luz este ou aquele elemento.
Talvez este seja o segredo de seu sucesso com esse tipo de música. Reccnhecido pelas trilhas que compôs para seis espetáculos do Ballet de Londrina, ele também é autor de todas as músicas de yosakoi soran (dança japonesa que mistura tradição e modernidade) do Grupo Sansey, pentacampeão brasileiro nessa modalidade.
Seu último trabalho, ''Estação Londrina'', que ele lança agora em CD, também é uma trilha. E também é mais: além das composições feitas para o espetáculo de mesmo nome, Tureta inseriu nele algumas músicas de outros trabalhos, como a peça ''O Último Inverno'', feita para o grupo Boca de Baco, e o espetáculo que abriu a Expo Imin 100 em 2008.
''Estação Londrina'' foi um espetáculo montado em 2004 para celebrar os 70 anos da cidade. Com texto de Domingos Pellegrini e direção de Wagner Rosa e Sílvio Ribeiro, a peça envolveu o Ballet de Londrina, a Escola Municipal de Teatro e músicos da Orquestra Sinfônica da UEL (Osuel), e foi apresentada no Museu Histórico.
''Quem assistiu à peça vai lembrar de quase tudo, já que 90% das músicas são do espetáculo. Só troquei a ordem de algumas faixas para ter fluência do discurso musical'', explica o músico, acrescentando que alguns trechos foram prolongados, partes foram repetidas, outras focarm criadas. ''Abri mais a trilha. A primeira parte, por exemplo, tem uma sonoplastia que não tinha originalmente'', comenta.
Amadurecer ainda mais as músicas acabou atrasando um pouco o seu lançamento (o trabalho começou em 2005), mas o resultado compensa. ''Este é o trabalho mais complexo que eu já fiz, desde 'Ethos' (2000) até hoje. Tanto do ponto de vista de composição quanto de produção'', reconhece Tureta, que convidou músicos locais (quase todos da Osuel) para gravar individualmente em estúdio instrumentos como violino, viola, violoncelo, flauta e clarinete, e fez a sonoplastia e programação eletrônica de outros instrumentos.
Para ajudar a ambientar o ouvinte, o encarte traz pequenos textos sobre cada faixa, escritos por Dayane Delfino como se fossem memórias de um pioneiro. Traz também fotos históricas e recentes, ilustrando a passagem do tempo. ''É uma homenagem a Londrina, sem a pretensão de resumir toda a história. É um ponto de vista'', define Tureta.
Este é o sétimo álbum do músico - os outros seis continham as trilhas sonoras originais para o Ballet de Londrina, companhia com a qual viajou em turnê pelo Brasil e foi até o Zimbábue, tocando guitarra ao vivo nos espetáculos ''Eternamente'' e ''Fome''. Em outra vertente, com seu grupo ''Duo de Três'' (que agora tem mais um integrante), ele também conquistou o terceiro lugar no Festival de Música de Paranavaí.
Embora tenha a guitarra como istrumento principal, Tureta também toca baixo, teclado, flauta e percussão. Por isso, não é raro ele gravar trilhas inteiras sozinho, tocando os instrumentos e fazendo as programações eletrônicas. ''Para compor para o grupo Sansey, aprendi - mais ou menos - a tocar shakuhachi, shamisen, taikô e kotô'', enumera, acrescentando que, junto com os instrumentos tradicionais, enveredou-se também pelo pop e rock nipônicos.
''Para fazer uma trilha, você tem que entrar na viagem que está sendo proposta. No começo você fica perdido, mas depois aprende a lidar com aquilo de outra maneira'', ensina. E, depois de meses debruçado sobre uma trilha, o que o leva a trabalhar ainda mais o que supostamente já estaria acabado, como foi o caso de ''Estação Londrina''? ''É igual a um texto, um quadro, que o artista sempre quer melhorar aqui ou retocar ali'', compara, para concluir: ''Uma trilha a gente sabe onde começa, mas não sabe onde termina.''
Serviço
Os discos estão à venda por R$ 10 no Studio Musical (R. Santos, 617) e também serão distribuídos em museus e escolas. Informações pelo (43) 3324-4334

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