Uma trajetória passada a limpo
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sábado, 23 de dezembro de 2006
Ubiratan Brasil<br> Agência Estado 
''É impossível contar a vida do cidadão Antônio Carlos Zarattini sem falar de teatro, televisão, da arte de representar e do exercício de dirigir.'' A frase é taxativa, mas resume com especial veracidade a trajetória do ator e diretor Carlos Zara (1930-2002), tema do livro ''Paixão em Quatro Atos'', mais um volume da Coleção Aplauso.
Escrita por Tania Carvalho, autora também da frase acima, a pequena (em dimensão física, não em importância) obra resgata o percurso traçado por Zara em estúdios de televisão e palcos teatrais em 50 anos de carreira. O trabalho contou com o auxílio imprescindível da atriz Eva Wilma, que foi casada com Zara durante 25 anos, e do produtor André Mello, que pesquisou e digitalizou todo o acervo do casal.
Zara participou de 30 novelas, 26 peças e 4 filmes. Na televisão, passou por praticamente todas as emissoras, como Record, Excelsior, Tupi e Globo, com a qual manteve um contrato de mais de 20 anos, mesmo nos mais recentes, quando esteve impossibilitado de atuar. '''Dez Vidas', de Ivani Ribeiro, e 'O Tempo e o Vento', de Érico Veríssimo, em adaptação de Teixeira Filho, em que fazia o capitão Rodrigo, são talvez os melhores trabalhos que fiz na minha vida'', disse ele a Tania.
Formado engenheiro pela Escola Politécnica, Zara exerceu a profissão durante oito anos. O teatro surgiu em sua vida ainda no tempo da faculdade, quando foi integrante do grupo de teatro amador. Logo, porém, se tornaria ator profissional - ao encenar ''Hamlet'', sob a direção de Sérgio Cardoso, em 1956, ele chamou a atenção de Nydia Lícia, que o convidou a integrar a companhia que ela dirigia com Cardoso. Ao longo da carreira, atuou ainda em ''O Assalto'', ''A Raposa e as Uvas'', ''Desencontros Clandestinos'', ''Quando o Coração Floresce'' e ''O Lampião'', entre outras.
Foi à televisão, porém, que se dedicou por mais tempo, participando já em seus primeiros anos - chegou à Record em 1956. Entre as novelas, atuou em ''As Bruxas'', ''O Barba-Azul'', ''Pai Herói'', ''Baila Comigo'', além de ''Mulheres de Areia''. Na Tupi, exerceu inúmeras funções: produção, atuação, direção e ainda se tornou supervisor da emissora, coordenando sua programação. Uma atividade da qual não gostava. ''A arte não deve misturar-se com a burocracia'', justificava.


