O jornalista Marcelo Fernando de Lima fez uma viagem no tempo, percorrendo toda a trajetória da poesia paranaense no último século, quando defendeu sua tese de mestrado em Literatura, na Universidade Federal do Paraná, nesta semana. Para falar sobre a obra poética do curitibano Sérgio Rubens Sossella, ele promoveu uma discussão que incluiu todas as etapas da poesia local.
Seu objetivo era fazer um comparativo entre Sossela e outros poetas paranaenses. Para isto, o jornalista buscou desde Emiliano Perneta, Dario Vellozo e Silveira Neto, no final do século 19. ‘‘O começo do movimento simbolista foi o ponto de partida da minha tese’’.
Ele critica o movimento simbolista do Paraná, embora afirme que tenha sido um dos mais fortes do Brasil. ‘‘Era uma literatura provinciana, que explorava os temas do simbolismo porque eles estavam na moda, mas mantinha a forma do parnasianismo’’, explica.
Ele conta que o simbolismo surgiu na França, numa tentativa de combater o materialismo, o capitalismo e o positivismo, fortes na época. Tentando resgatar a volta do poeta como artista e como pessoa, o movimento se caracterizou pela exploração de temas como a morte e o pessimismo.
‘‘Anos mais tarde, o poeta Paulo Leminski tentou buscar uma revolução na linguagem, resgatando um simbolismo que, na prática, não aconteceu no Paranᒒ, afirma Lima.
Na década de 20, o modernismo chegou fraco ao Paraná. Seu principal representante, o ponta-grossense Brasil Pinheiro Machado, não foi mais do que ‘‘um decalque’’ de Oswald de Andrade. Eles eram amigos e o paranaense acabou assimilando o estilo de linguagem de Andrade. ‘‘Ele não foi original’’.
Paralelamente, surgiu a geração futurista, representada entre outros pelo poeta Walfrido Piloto. ‘‘O movimento foi um entendimento errôneo do modernismo, trazendo uma poesia irônica e caricaturada’’. Segundo ele, o movimento foi isolado e se esgotou rapidamente.
Na década de 40, um forte movimento literário se formou no Paraná em torno da revista Joaquim, dirigida por Dalton Trevisan. ‘‘O objetivo era destruir toda a produção anterior’’, conta o jornalista. ‘‘O movimento propunha algo mais universal, que fosse além dos limites da Rua XV’’.
Nesta fase, Dalton Trevisan criticou fortemente o uso da literatura para criar uma imagem fantasiosa do Paraná, associando-o sempre às pinhas e pinheiros, por exemplo. Um dos importantes nomes que surgiram nesta época foi o de Glauco Flores de Sá Brito.
Na opinião de Lima, o grande momento da poesia paranaense teve início na década de 60, na geração de Alice Ruiz, Reinoldo Atem, Leopoldo Scherner, Jacques Brand, Sérgio Rubens Sossella e Paulo Leminski. ‘‘Houve uma grande profusão de poetas intelectualizados, influenciados pela poesia concreta’’.
Primando pelo rigor e forma e rompendo com o verso, estes escritores exploraram os poemas curtos e versos livres, utilizando uma temática urbana. Suas obras refletiram o momento da liberação sexual, do movimento hippie e da cultura de massa, característicos da década de 60.Jornalista defende tese de mestrado sobre a poesia de Rubens Sossela e analisa os versos e as rimas criadas no Paraná
Albari RosaO jornalista Marcelo Fernando de Lima centrou seu estudo em Sérgio Rubens Sossela, mas trilhou todos os caminhos da poesia paranaense

Simone Mattos

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