Seu nome é Regina Pereira ou simplesmente Regina do Salgueiro. Aos 72 anos, a carioca que nasceu no Estácio não sabe o que seria da sua vida sem o samba. Quem a vê no ensaio da escola não consegue desgrudar os olhos. Entre as mulheres ela se destaca, apesar da idade, pela criatividade dos passos que nunca perdem a cadência, enquanto as mãos alternadas marcam o tempo com os dedos apontando a esquerda e a direita. Para ela, o segredo do bom sambista ''é a vontade de viver''.
Antes de chegar ao Salgueiro, há 30 anos, ela passou pela escola Canarinhos das Laranjeiras. Auxiliar de enfermagem aposentada, dois filhos, quatro netos e dois bisnetos, ela fala da vida sem esconder a infância pobre de menina que recolhia a xepa das feiras e ''nasceu passista''.
Entre os anos 50 e 60 foi mostrar o samba pelo Brasil, conheceu várias capitais e chegou ao exterior acompanhando um grupo de artistas: ''Com o balé da Mercedes Batista fui à França, junto com Haroldo Costa.''
Na época, o samba tipo exportação engatava o movimento que mais tarde levaria ao ''boom'' do reconhecimento do gênero em outros países. Dona Regina já estava lá, muito antes das mulatas de Sargentelli.
Na ensaio, a soberana cai no samba quando dá na telha. Os sapatos prateados riscam o chão à direita e à esquerda, para o lado, para frente, para trás. Ela desenha movimentos lúdicos. Os braços, mistura de delicadeza e precisão, acompanham o corpo sem mexer os ombros: ''Paulista é que samba mexendo em cima'', explica e imita. Depois aproxima-se da bateria, junta-se com as amigas da ala das baianas e dá mais lições de Ph.D em samba.

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