Uma semente paterna
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Rafael Ceribelli <br> Reportagem Local 
Em meio à solidão geográfica da planície australiana, vive uma família feliz; Peter (Aden Young) é o marido de Dawn (Charlotte Gainsbourg), e eles dividem a casa com seus quatro filhos pequenos. Assim começa o filme ''A Árvore'' - produção que estreia hoje na programação do Cine Com-Tour/UEL - e que demonstra um frágil momento de felicidade que, infelizmente, será abalado por profundas transformações.
Chegando em casa voltando do trabalho, Peter sofre um ataque cardíaco e morre no volante. Por uma coincidência cósmica, o carro só para de andar quando bate na imensa árvore do quintal da sua própria residência. A tragédia instantaneamente afeta toda a família, o garoto mais velho, Tim (Christian Byers), luta para amadurecer e assumir o posto de 'homem da casa'; o mais novo, Charlie (Gabriel Gotting) emudece e para de falar e a esposa busca conforto nos braços de um mecânico da região (Marton Csokas). Em um processo próprio de luto, Simone (Morgana Davies, espetacular) de apenas oito anos escolhe passar os dias com a árvore no seu quintal, acreditando que o espírito do pai está preso lá dentro.
Surpreendentemente, as linhas da narrativa que poderiam definir um drama pesado acabam se transformando - pela inocência da personagem de Simone e do tom ambientado pela fotografia e direção de Julie Bertuccelli - em um conto de fadas moderno, que convida o espectador a embarcar na fantasia da pequena, ao mesmo tempo em que percebe que ela um dia terá que encarar a realidade de crescer e se descobrir sem o amor do pai.
Reforçado por uma consistente atuação da mãe Charlotte Gainsbourg - que está em conflito sobre contar a verdade para a filha ou deixar ela se confortar por mais um tempo - um grande mérito da diretora Bertucelli é demonstrar, com sensibilidade e sutileza, como a árvore inanimada vai tomando vida e formas diferentes no decorrer da trama, acompanhando a subjetividade da garota e sua incrível imaginação.
Como um um conto de fadas moderno, o que sobra como moral da história em ''A Árvore'' é o aprendizado e amadurecimento através do luto; com cada uma das crianças dessa família aprendendo a viver - e crescer - enfrentando as dificuldades de uma perda irreparável.


