Uma semana descendo o Rio Novo
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quarta-feira, 25 de julho de 2001
Sílvia Herrera Agência Estado 
Que tal deixar o conforto de lado, pegar sua mochila e fazer um rafting (descer corredeiras em bote de borracha) de uma semana no Rio Novo, encravado no coração do Jalapão (TO)? Há quatro anos, alguns canoístas começaram a descer as corredeiras deste rio, que tem cerca de 60 quilômetros de extensão. Quem leva é a Canoar (operadora de rafting) e o canoísta Mássimo Desiati, da Ixion Geo, que criaram um passeio para despojados, ou nem tanto, aventureiros. É um rio grande de água potável, e agora a temperatura média está em torno de 34 graus, conta José Pupo, proprietário da Canoar. A idade mínima é 18 anos, ou 15 anos, acompanhado pelo responsável.
No Jalapão há duas estações distintas. A das chuvas, que os nativos chamam de inverno; e a seca, quando não chove e que chamam de verão, apesar de ser inverno, e que vai de junho a final de agosto, explica. E é no verão, que os passeios acontecem semanalmente. Há um programa de sete dias, com corredeiras até classe 3+ de desnível (cerca de quatro metros), e o de oito com corredeiras maiores, até classe 4+ de desnível (seis metros). O rio corre numa região deserta, no meio de um cerrado. O chão do rio é de areia e nas corredeiras há lajes de pedras de coloração marrom, muito bonitas, descreve.
A aventura começa na capital do Tocantins (a 264 km do Jalapão), onde os visitantes embarcam num ônibus e depois em um caminhão 4x4, que faz o transporte até o local, às margens do Rio Novo, na Ponte do Rio Novo. Lá estão os botes especiais para rafting e a equipe de apoio, que vai acompanhar os aventureiros nesta descida de uma semana, e também nos acampamentos, durante à noite.
A economista Ione Amorim participou da primeira turma de aventureiros. As praias onde acampamos são desertas. Há muitas pegadas de animais e pássaros, inclusive grandes pegadas de onças, lembra. Na terceira noite a barraca de Ione recebeu uma visita: Estava dormindo e minha companheira sentiu que algo estava puxando nossa barraca, ela pensou que seria uma brincadeira do instrutor. De manhã, ficamos sabendo que ninguém puxou nossa barraca. Outro rapaz disse ter sentido um forte cheiro de animal selvagem durante a noite e, o que é pior, achamos pegadas bem grandes ao lado de nossa barraca.
Zé Pupo explica que a parte terrestre custa R$ 980 (programa de sete dias), incluindo tudo; hotel em Palmas, alimentação, transporte, que pode ser parcelada em três vezes sem juros; e a parte área fica por volta de R$ 450 (SP/TO). Na volta, quem quiser poderá abrir a passagem de avião em Brasília para passar uns dias na Chapada dos Veadeiros, sugere Pupo.
As praias do Rio Novo são maravilhosas, a água é transparente. É muito bom, conta. O passeio de sete dias pode ser feito por iniciantes, e não é preciso formar grupos, quem for sozinho será encaixado nos botes com vaga. O grupo recebe orientações antes da viagem para utilização de produtos de higiene de composição biodegradável. Todo o lixo produzido no acampamento é recolhido e uma vistoria é realizada a cada desocupação para garantir a preservação do local.
Nos dois programas o primeiro dia é bem tranquilo, com poucas corredeiras; depois começa um pouco mais de adrenalina; e no programa de oito dias há uma corredeira classe 4+, que ainda não foi batizada, resume. Segundo ele, a aventura é light e não exige preparo especial dos participantes. Gostei muito mais das últimas quedas, onde a água é densa e forma refluxo em várias direções. Lá, nos jogamos na água para praticar agem (canoagem sem canoa) e fomos levados pela correnteza. Foi maravilhoso, afirma Ione.
O rafting começa às 10 horas, paramos às 16 horas, montamos acampamento na margem do rio e passamos a noite. No outro dia é a mesma coisa. O único problema seriam os mosquitos. Não é borrachudo, é outro tipo, mas nada que incomode; basta aplicar repelente e pronto, ensina. O rafting termina próximo a uma região chamada Cotia de onde se pega o ônibus de volta a Palmas.
O Parque Estadual do Jalapão foi criado em janeiro deste ano e possui 158.885,41 hectares, localizado no sudoeste do Estado do Tocantins. Tem características de cerrado, vegetação típica de chapadões e pequenos trechos de mata. As montanhas da região, como a Serra do Espírito Santo, apresentam extensos platôs, lembrando uma grande mesa.


