Com a Companhia Sutil, Felipe Hirsch estreou 13 espetáculos. Seus principais trabalhos na última década foram ''Beckett'', sobre a obra de Samuel Beckett (1991), ''Baal Babilônia'' de Fernando Arrabal (1993), ''Trecentina 1'' de Mario Schoemberger e Eneas Lour (1994), ''Um Fausto-Samba sobre o Infinito/Ato V do Fausto Dois'' de J. W. Goethe (1994), '' Ubu!'' de Alfred Jarry (Supervisão, com o Grupo Sobrevento, 1996), ''Nora-Casa de Bonecas'' de Henrik Ibsen (1997), ''Violentíssima Trindade-parte 1-Um Cão Sob a Cruz'' (1997), ''Estou te escrevendo de um país distante'' (1997). Em 1994, ''Baal Babilônia'' recebeu os quatro principais prêmios do Troféu Gralha Azul.
No currículo de Hirsch também figuram espetáculos como ''Os incendiários'', Memória da Água'', ''Jantar entre Amigos'', ''Os Solitários'' e ''Como eu Aprendi a Dirigir um Carro''. Este último, um ''espetáculo inacabado'' como o diretor faz questão de ressaltar, estreou há dois meses em Curitiba. ''Foi uma temporada proveitosa, mas a peça não está acabada. Pretendo retomá-la no ano que vem com Andréa Beltrão no elenco'', adianta.
No próximo ano também está previsto a estréia do próximo espetáculo da Sutil, ''A última mensagem do cosmonauta'', do escocês David Greig. O texto inédito fala sobre a memória, tema recorrente nos espetáculos do diretor. Além do texto original do escritor contemporâneo, a peça tem textos do próprio Hirsch e de neurologistas convidados. A temática central, diz Hirsch, é a evolução da narrativa por meio da memória. A peça tem, entre outros, Simone Spoladore no elenco e previsão de estréia para janeiro, em São Paulo.
Dividir tempo e elenco entre as três cidade (Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba) parece não ser o principal desafio de Hirsch. Ele se desdobra também para conciliar os trabalhos da Sutil com os tantos convites que recebe. Admite que já pensou na possibilidade de deixar a companhia e partir para um trabalho que seria, em tese, mais burocrático, aceitando os tantos convites de atores ávidos pela sua direção. Mas manter o grupo é uma forma de garantir que a linha central do seu trabalho seja seguida. ''E também é uma maneira de sofrer. A gente precisa sofrer para quebrar a monotonia'', brinca.
E Hirsch não é (ainda) um diretor de encomenda. Nem Marco Nanini, nem Renata Sorrah, nem Eliane Giardini, atores que já dirigiu, conseguiu fazer com que ele se desviasse dos textos e trabalhos que escolhe. ''Até hoje sempre fiz o que tive vontade'', salienta. E assim, promete, também será com o texto a ser escolhido para dirigir a diva do cinema e teatro nacional Fernanda Montenegro. Os dois começam a ensaiar em janeiro com texto ainda a ser escolhido e previsão de estréia para 2004.
Serviço: ''A Vida é Cheia de Som e Fúria'', direção de Felipe Hirsch, até 16 de novembro, às 20h30, no Teatro HSBC (Palácio Avenida, na Boca Maldita), em Curitiba. Ingressos a R$ 15,00.

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