A escritora, poetisa e tradutora Lya Luft participa hoje em Curitiba de um bate-papo com os leitores e de sessão de autógrafos do seu novo livro, ''O Silêncio dos Amantes'', na Livrarias Curitiba do recém-inaugurado Shopping Palladium, às 19h30. A entrada é franca.
A autora, que alcançou a marca de um milhão de exemplares vendidos no Brasil com o ensaio ''Perdas & Ganhos'' (2003), trata em sua nova obra, uma coletânea de contos, da incomunicabilidade entre pessoas próximas fisicamente, porém, recolhidas à própria solidão, seja inconscientemente ou de forma intencional. O ''silêncio'' a que o título se refere não diz respeito apenas às relações entre casais, mas entre quaisquer pessoas ligadas pelo afeto.
São contos sobre desentendimentos muitas vezes disfarçados sob a aparente normalidade da convivência entre mães, pais e seus filhos, avós e netos, entre irmãos, namorados, marido e mulher, ou entre o protagonista e seu universo particular onde ele cria os próprios personagens. ''É um livro sobre a incomunicabilidade. Sobre em que momento a gente não falou o que devia. Esse tipo de conflito eu acho interessante'', afirma a autora que promove, também, uma reflexão sobre a família. Segundo Lya, a convivência harmoniosa, tanto no núcleo familiar em que nasceu quanto naquele que mais tarde, aparece em sua obra na forma de supervalorização dessa instituição. ''Entendo a dor que deve ser quando não se tem uma família legal. A família deve te dar força'', observa.
Embora trate de dificuldades, obstáculos, solidão e crueldade, o livro aponta também para a sempre presente possibilidade de escolha e a sobrevivência como um exercício de adaptação ao ambiente determinante. ''Há muitos momentos na vida em que você pode escolher ser bem-humorado ou ficar enchendo o saco dos outros'', defende. ''Mas essas escolhas às vezes são inconscientes e a pessoa não se dá conta de que está estragando a própria vida. A gente precisaria estar mais alerta'', completa Lya.
Para ela, ''a vida é uma construção'' e a literatura tem o poder de mostrar que o sofrimento pode ser compartilhado. ''Um dos efeitos da arte é fazer parar para pensar. Fazer sentir que você não está sozinho no seu sentimento, na sua angústia, na sua perplexidade'', avalia a autora, que escreve com compaixão. ''Compaixão não no sentido de pena ou piedade, mas de sentir com o outro. É uma solidariedade do artista, uma afinidade com aquele que vai contemplar o seu trabalho'', justifica Lya.
Ora trágicos, ora mais lúdicos, os contos de ''O Silêncio dos Amantes'' exploram de uma forma ou de outra o mistério que envolve o drama da existência humana. Em alguns deles a metáfora e o símbolo são os recursos usados na construção da fantasia, que por vezes pegam a própria autora de surpresa. ''Surpreende também a mim quando tenho a idéia. Escrever tem um lado muito lúdico. Escrevo as histórias para mim primeiro'', revela Lya Luft.

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