Uma reflexão irônica sobre a modernidade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de novembro de 1996
Agência Folha 
As diferentes maneiras de se entender a arte moderna, pelos escritores, músicos e artistas que a criaram, são tema de Ironias da Modernidade, do professor e ensaísta Arthur Nestrovski. Por meio de seus ensaios, Nestrovski mergulha na ironia para explicar os acontecimentos que fomentaram a modernidade estética. Dividido em duas partes, música e literatura, o autor inicia seu trabalho com uma análise das peças de Shakespeare, como Macbeth, e prossegue até a obra do compositor Schoenberg: A resistência à música de Schoenberg é uma resistência à própria música, afirma Nestrovski. Outros que se tornam tema para o seu trabalho, entre vários, são o poeta T.S. Eliot, o escritor Thomas Mann, o compositor Beethoven e, ainda, o crítico norte-americano Harold Bloom, que está presente no ensaio Influências.
Angústia Neste trabalho, Nestrovski fala sobre influência como tema, algo que vai se tornar um tema central na crítica e teoria literária no período moderno. O autor prossegue ainda analisando a própria idéia de precursor para, então, se chegar ao conceito bloominiano de angústia da influência: A angústia da influência é a sensação paralisadora que todo poeta tem do precursor; é a falência da imaginação quando o homem célebre de Machado de Assis se afasta do piano e confessa a si mesmo que a sua inspiração era apenas eco de alguma peça alheia, que a memória repetia e ele supunha inventar.


