As diferentes maneiras de se entender a arte moderna, pelos escritores, músicos e artistas que a criaram, são tema de ‘‘Ironias da Modernidade’’, do professor e ensaísta Arthur Nestrovski. Por meio de seus ensaios, Nestrovski mergulha na ironia para explicar os acontecimentos que fomentaram a modernidade estética. Dividido em duas partes, música e literatura, o autor inicia seu trabalho com uma análise das peças de Shakespeare, como ‘‘Macbeth’’, e prossegue até a obra do compositor Schoenberg: ‘‘A resistência à música de Schoenberg é uma resistência à própria música’’, afirma Nestrovski. Outros que se tornam tema para o seu trabalho, entre vários, são o poeta T.S. Eliot, o escritor Thomas Mann, o compositor Beethoven e, ainda, o crítico norte-americano Harold Bloom, que está presente no ensaio ‘‘Influências’’.
Angústia Neste trabalho, Nestrovski fala sobre influência como tema, algo que ‘‘vai se tornar um tema central na crítica e teoria literária no período moderno’’. O autor prossegue ainda analisando a própria idéia de ‘‘precursor’’ para, então, se chegar ao conceito bloominiano de ‘‘angústia da influência’’: ‘‘A angústia da influência é a sensação paralisadora que todo poeta tem do precursor; é a falência da imaginação quando o ‘homem célebre’ de Machado de Assis se afasta do piano e confessa a si mesmo que a sua inspiração era ‘apenas eco de alguma peça alheia, que a memória repetia e ele supunha inventar’’.

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