Uma prova de fogo para a mocinha
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quinta-feira, 25 de setembro de 1997
Rodrigo Teixeira TV Press 
Lavínia Vlasak: Não sou mais estreante e não tenho mais desculpasLavínia Vlasak carrega um pequeno gravador para todos os lugares que vai. Com ele, a atriz usa todo e qualquer momento de folga para memorizar os diálogos da personagem Lígia na novela Anjo Mau. Ela grava as falas dos outros atores com quem vai contracenar e passa o texto sozinha. Quando vou gravar as cenas, já estou com o texto todo na cabeça, garante Lavínia.
Foi esta determinação que fez com que, logo no segundo papel na tevê, a atriz de apenas 21 anos assumisse a função de protagonista. Em Anjo Mau, Lígia vai brigar com a vilã Nice, feita por Glória Pires, pelo amor de Rodrigo, interpretado por Kadu Moliterno. Ela já havia chamado a atenção no trabalho de estréia, em 96, como a rebelde Lia de O Rei do Gado. Exatamente por ser o primeiro trabalho, dava uma canja para si mesma. Agora a coisa é diferente. Não sou mais estreante e não tenho mais desculpas, diz.
E nada escapa ao aguçado olhar crítico da atriz. A minha voz está longe de ser boa. Detesto ouvir minha secretária eletrônica, censura-se a atriz. Para alcançar a almejada voz bonita e grave, Lavínia conta com a ajuda de Glorinha Beutmuller, a professora de dicção da maioria dos atores da Globo.
A atriz agora garante que conheceu mais uma maga: Márcia Tanure, responsável pela preparação do elenco de Anjo Mau. Lavínia adorou ter uma orientação dupla, porque uma completa o trabalho da outra. A atriz justifica a preocupação com a postura vocal porque não quer parar de evoluir profissionalmente.
Low profile Lavínia também não quer tomar conhecimento da fama. A atriz garante que, mesmo depois de ter ficado conhecida, sua vida não mudou em quase nada: continua gostando das mesmas coisas, prefere ficar em casa a ir a festas e se dedica ao casamento, que já dura cinco anos, com o ator Jorge Pontual.
Além da humildade com que encara sua ascensão na televisão, Lavínia mostra preocupação em corresponder às exigências dos diretores. Para compor a Lígia, apesar de reconhecer que interfere no personagem com figurino e interpretação, é a opinião do diretor que ela segue à risca. Me entrego na mão dele, assume.
Esta dedicação pelo trabalho só chega a ser afetada quando ela tem que fazer cenas mais eróticas. Para Lavínia, este é o único momento que fica nervosa durante a gravação. Nas cenas mais quentes, como fez com o ator Almir Satter em O Rei do Gado, a atriz revela que a sua calma desaparece totalmente.
Como a atriz não pode mudar o roteiro das novelas, pelo menos nas cenas de beijo Lavínia tenta conseguir um subterfúgio. Ela garante que ainda não deu um beijo autêntico na televisão.
Papel reciclado Lavínia garante que optou por não assistir à primeira versão de Anjo Mau para não influenciar a composição de sua personagem Lígia, interpretada na época por Renée de Vielmond. Em 1976, quando a novela de Cassiano Gabus Mendes parou o Brasil, a atriz estava nascendo. A trama não será a mesma, por isso não queria me basear em uma interpretação datada, assegura.
Mas embora o perfil de sua personagem tenha mudado, a atriz faz questão de tentar não cair no lugar-comum. Para Lavínia, enquanto a vilã ri a trama inteira e chora no final, a heroína chora durante toda a novela para acabar inevitavelmente feliz. O meu desafio é fazer uma mocinha não-depressiva, já que ela sofre muito na novela, assegura Lavínia.
Para conseguir o objetivo, Lavínia afirma que vai usar as semelhanças e diferenças que tem com a personagem. O fato de Lígia trabalhar, mesmo fazendo parte de uma família que tem dinheiro, agrada à atriz. Ela gosta de ter as coisas por mérito próprio, elogia.
Em compensação, a paixão eterna por Rodrigo, mesmo depois de ele estar de casamento marcado com Paula, vivida por Alessandra Negrini, não é o estilo preferido da atriz. Mas é justamente esta diferença que fascina Lavínia. O meu grande prazer de interpretar é fazer coisas que eu jamais faria, diz a atriz.
Mudança planejada Lavínia Vlasak não vê nada demais em ter mudado da profissão de modelo, que teve por cinco anos, para a de atriz. Para ela, o importante em qualquer profissão é se preparar para o trabalho. Por isso, antes de assumir frontalmente os papéis na tevê, fez um curso de teatro na Casa das Artes da Laranjeira, a CAL, e participou da Oficina de Atores da Globo. As modelos podem entrar para a tevê desde que estudem, afirma a atriz.
Como modelo, Lavínia chegou a fazer campanhas importantes, como a da linha de cosméticos Shiseido, a mais importante do Japão. Mas gosta de usar o exemplo da ex-modelo Silvia Pfeifer, que fez o papel de mãe do seu personagem em O Rei do Gado, como defesa da tese que uma modelo pode ser uma boa atriz. Segundo ela, Silvia conseguiu ser reconhecida depois desta novela. Ela entrava em cena e arrebentava, exagera a ex-modelo.


