Manoel Carlos está feliz. ''Presença de Anita'' cumpriu a sua missão, já que está mantendo 30 pontos de média. Ou seja, a produção elevou a audiência da última minissérie ''Os Maias'' e conseguiu manter o ibope dos programas ''A Grande Família'', ''Os Normais'' e ''Brava Gente''. ''Nunca se tem certeza como o espectador vai reagir. Mas deu tudo certo'', alegra-se Maneco, que leu o livro de Mário Donato aos 15 anos, quando ainda era seminarista. Na verdade, a produção de Manoel Carlos não só está dando audiência como, seguindo a tradição das novelas do autor, está sendo comentada. Conhecido por ser ''bom de ibope'', Maneco garante que o burburinho das ruas é o seu verdadeiro termômetro de audiência. ''Se as pessoas não conversam sobre a produção é porque os ganchos não funcionaram'', afirma.
Manoel Carlos acaba de renovar com a Globo até 2007. Ele chegou a ameaçar não renovar após um diretor de vendas da emissora prometer exibir ''Laços de Família'' no exterior com as cenas da livraria cortadas. Resolvido o impasse, o autor vai escrever mais três novelas na Globo. Após o término da minissérie, em 31 de agosto, Maneco parte para Nova York. ''Vou ficar até janeiro com certeza. Mas o plano é passar todo o ano de 2002 lá'', avisa o autor.

Qual o balanço que você faz de ''Presença de Anita''?
Estamos oscilando entre 29 e 30 de média, o que é excelente. Diria que eu e minha equipe estamos felizes. Me adianto em dizer que Mel Lisboa se saiu bem na sua missão. Ela nunca tinha feito nada e de cara pegou uma personagem complexa como a Anita. Ela pode se tornar uma grande atriz. Os outros novatos, como o Leonardo Miggiorin, também se saíram bem. Os atores mais experientes nem preciso falar, sabia que dariam conta do recado. O José Mayer provou que eu estava certo em adiar a minissérie caso ele não pudesse fazer.

A missão de elevar a audiência das minisséries da Globo aumentou a sua responsabilidade?
As minisséries têm audiências variadas, como tudo o que se faz em tevê. ''A Muralha'' e ''Hilda Furacão'' tiveram maior audiência que ''Aquarela do Brasil'' e ''Os Maias'', mas as quatro foram bem escritas, produzidas e representadas. A minha responsabilidade com ''Presença de Anita'' é a mesma que tenho sempre que a Globo me confia um trabalho. Devo dar audiência.

A maioria de suas produções acaba virando assunto. Até que ponto isto é importante para se obter sucesso?
Dou mais importância ao que escuto das pessoas nas ruas do que aos números do Ibope. Claro que a audiência é importante, mas quando saio para andar no Leblon e encontro os amigos é que realmente constato se a produção está dando certo ou não. Porque um programa não ser comentado é a prova de que as pessoas podem até estar assistindo, mas não foram fisgadas pelos ganchos da trama. A preferência do público é misteriosa. Não dá para prever e nem explicar com muita clareza.

A história criada por Mário Donato, em 1948, estava à frente de seu tempo?
Sim. O romance do Mário é inovador. Revolucionário até. E isso foi percebido por muitos críticos da época, não apenas no Brasil, mas no exterior. Foi até comparado a D. H. Lawrence, autor de ''O Amante de Lady Chaterley''. Quanto à comparação com Lolita, alguns cronistas estão dando um show de ignorância, pois o livro é anterior ao ''Lolita'', de Vladimir Nabokov. E depois, o tema da paixão de um homem maduro por uma ninfeta não é propriedade de ninguém.

Por que decidiu passar um tempo nos Estados Unidos?
Porque meus filhos irão passar um tempo estudando lá. Então, estou saindo de férias e indo para Nova York. Até janeiro ficarei lá com certeza, mas posso me estender até o final de 2002, já que a minha próxima novela deve ir ao ar somente em 2003.

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