Foto: Roberth Trindade/Carta Z NotíciasValéria
Valenssa
dá a dica
do remelexo:
‘‘Além de
requebrar
a cintura,
tem de
mexer bem
os pés’’A Globeleza Valéria Valenssa garante que esse ano vai requebrar mais que nunca no Sambódromo. E manda um recado para as madrinhas de baterias que, segundo ela, estão longe de saberem sambar. ‘‘Além de requebrar a cintura, tem que mexer bem os pés’’, avisa a mulata. Os pés, no entanto, são a parte do corpo de Valéria que menos chamam a atenção. Dona de uma plástica perfeita - com 50 kg distribuídos harmoniosamente em 1,70 m de altura -, a moça já empresta a imagem às vinhetas de Carnaval da Globo há oito anos. Só não foi a Globeleza em 92 tudo por causa do marido, o designer gráfico Hans Donner, responsável por aberturas das novelas e vinhetas da Globo. ‘‘O Hans queria dar oportunidade a outras moças bonitas’’, reconhece Valéria, sem demonstrar o menor ciúme.
Aos 26 anos, Valéria fala pausadamente e demonstra uma serenidade que contrasta com seus frenéticos e sedutores requebrados. A tranquilidade é essencial para que Valéria aguente pacientemente o processo de pintura a que se submete para gravar as vinhetas - que esse ano, segundo ela, foi ainda mais exaustivo. Em 97, por exemplo, ela teve de se submeter a várias sessões de pintura que, somadas, totalizaram 48 horas de trabalho em três dias.
Dessa vez, o trabalho foi mais puxado. A sessão de pintura foi em um único dia, demorou 21 horas e envolveu cinco profissionais. Mas antes de ter o corpo todo pintado, Valéria teve de passar por uma etapa que considera a mais chata. ‘‘Três dias antes eu tenho de me depilar todinha’’, conta a mulata. O corpo liso de Valéria passa cinco horas sendo desenhado com caneta esferográfica. Depois, recebe um banho de cola látex com hidratante, capaz de impedir que os poros da pele fiquem obstruídos. Após esse processo, os maquiadores pintam e espalham purpurina por cada milímetro do seu corpo. ‘‘Os maquiadores ficam surpresos porque não sinto cócegas’’, diverte-se Valéria.
Micaretas A moça está plenamente identificada com o Carnaval e aproveita o resto do ano, quando não está no vídeo, para fazer shows desfilando em Carnavais fora de época por todo o país. Ela é convidada em nove de cada dez micaretas realizadas em Brasília, Sergipe, Amazonas e Fortaleza, entre outras cidades. Nessas apresentações, Valéria chega a perder até cinco quilos. ‘‘Mas eu bebo tanta água que recupero tudo rapidinho’’, garante a mulata.
Normalmente, Valéria é muito bem recebida pelos fãs, principalmente do sexo masculino, que ficam com o queixo caído diante da silhueta perfeita da moça. O mesmo, no entanto, não se pode falar em relação às mulheres. Em uma das últimas micaretas que esteve presente, em Aracaju, Valéria ficou invocada com uma mulher que ficava o tempo todo se benzendo a cada remelexo de Valéria. ‘‘Ela ficava me olhando de rabo de olho. Devia me achar uma pecadora’’, acredita a moça.
Na carona da imagem que a tornou popular em todo o Brasil, Valéria traça novos planos para 98. Ela pretende finalmente lançar um vídeo em que ensina as pessoas a sambarem. E afirma que qualquer um pode aprender. ‘‘O Hans foi a minha cobaia. E hoje ele é todo metido’’, entrega Valéria. Ela garante que em toda reunião social que o casal aparece, o austríaco Hans vai logo mostrando que já sabe sambar quase tão bem quanto valsar. ‘‘Ele começa a requebrar e mostrar para as pessoas que tem uma ótima professora em casa’’, gaba-se, a orgulhosa Valéria.
Segundo Valéria, este ano o público também vai ter oportunidade de conhecer uma nova faceta artística: a de cantora. Ela quer lançar um álbum com sambas e garante que o CD - ainda sem gravadora definida - vai mostrar que ela também sabe fazer algo mais que requebrar os quadris e desfilar nua no Carnaval. Nem precisava.

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