‘‘De que vale o céu azul e o sol sempre a brilhar/ se você não vem e eu estou a esperar’’. Esse trecho da canção ‘‘Quero que Vá Tudo Pro Inferno’’, de Roberto Carlos, sintetiza o enredo da peça ‘‘E Que Tudo Mais Vá Pro Inferno’’, que leva a assinatura da jornalista e escritora Maria Angélica Abramo. O espetáculo estreou na Mostra Regional de Teatro de Londrina, em 1990, com o Grupo Antiácido. A inspiração para escrever a peça veio da infância de Maria Angélica, quando ela morava a duas quadras da casa de Roberto Carlos, em São Paulo, no final dos anos 60. A família Abramo recebeu uma jovem empregada doméstica, ex-cuspidora de fogo num circo mambembe, que havia ido pedir emprego na casa do Rei e não foi aceita como serviçal.
A empregada e a pequena Angélica viveram intensamente a fase de histeria coletiva e se tornaram inseparáveis no culto ao Rei. Em ritmo de aventura, elas resolveram esperar o Rei da Jovem Guarda chegar em casa, quando retornava do programa televisivo. Mais de 100 mulheres enlouquecidas tiveram a mesma idéia. Num splish splash o carro do Rei entrou na garagem. As fãs ficaram sem ver nada. Outro fato verídico que foi levado ao palco aconteceu com a mãe da escritora, que encontrou o Rei, como qualquer mortal, num supermercado (!) da vizinhança.
‘‘E Que Tudo Mais Vá Pro Inferno’’, a peça, tem como personagens centrais Nice (empregada) e Ana Luisa (garota), e conta a trajetória e a amizade dessas duas fãs, tentando encontrar RC pessoalmente. Nice tenta inclusive transformar o namorado num Roberto Carlos, fantasiando-o com as roupas no estilo do Rei. (F.F.)

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