Uma paixão nas telas
O esporte mais popular do País sai dos gramados e chega às salas de cinema. Depois de Boleiros, filme de Ugo Georgetti, que relata histórias inusitadas do futebol, Antônio Carlos Fontoura se prepara para lançar Uma Aventura do Zico. A produção, orçada em R$ 5 milhões, estréia até o final do ano em circuito nacional e usará o esporte como pano de fundo para uma aventura fantástica. É um assunto muito interessante que está sendo descoberto pelos cineastas, afirma Fontoura, que, além de diretor, foi o roteirista do filme.
Apesar de gostar de futebol apenas como espectador, o diretor diz que sempre quis abordar o tema no cinema. Queria mostrar a paixão das crianças pelo futebol, conta. Fontoura diz que a idéia de fazer um filme deste tipo surgiu durante a Copa de 1990, na Itália. Mas cristalizei a idéia quando percebi que Zico era o mais adequado para a história, explica. O cineasta escreveu o roteiro e o apresentou a Luiz Carlos Barreto, que, segundo ele, é um aficionado por futebol. Ele resolveu assumir a produção na hora, revela.
O filme mistura realidade e ficção e conta a história de um grupo de crianças que disputam vagas na escolinha de futebol do Zico. O Galinho de Quintino, que interpreta a si mesmo, prega aos alunos o futebol arte, sempre dando destaque à técnica e à habilidade. Surge, então uma cientista maluca que resolve fazer um clone do jogador. Só que o clone criado surge com um perfil oposto, adotando o futebol força. Além das crianças e do próprio atleta, estão no elenco Eri Johnson, Íris Bustamante, Roberto Bontempo, Thierry Figueira, Jonas Bloch e Betty Erthal, entre outros.
Fontoura conta que Zico o ajudou bastante. O maior ídolo rubro-negro colocou à disposição o CFZ - Centro de Futebol Zico - localizado no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, que serviu como principal locação. O jogador, aliás, levou a família para participar do filme. A esposa Sandra e os filhos Thiago, Júnior e Bruno interpretaram eles mesmos na produção. Isso provocou até um fato curioso: há uma cena em que Bruno está tocando a música Só No Sapatinho, do grupo SNS do qual é vocalista - e que serve de tema para Sandra, personagem de Adriana Esteves na novela Torre de Babel - e ele pergunta ao pai se a música tem chances de fazer sucesso. O engraçado é que filmamos antes da novela e a música acabou estourando mesmo, destaca o diretor.
Fontoura diz que a grande complicação que enfrentou foi em relação ao aspecto tecnológico na hora de duplicar Zico, feito com truques de computação gráfica. Além disso, contratou desenhistas para as cenas mais difíceis, que eram ilustradas como story-boards antes de serem filmadas. Uma outra dificuldade foi o forte calor durante as filmagens, feitas entre dezembro de 1997 e março deste ano. Era um sol de matar e havia a preocupação com as crianças, lembra.
Este é o quarto filme de Antônio Carlos Fontoura, que ficou 14 anos sem fazer cinema - sua última produção foi Espelho de Carne, em 1984. A razão deste hiato já é conhecida: a crise que assolou o cinema nacional na década de 80 e na Era Collor. Neste período, Fontoura se dedicou ao trabalho de roteirista e escreveu vários episódios para o Você Decide, da Globo. Nessa volta, Fontoura garante que tem maiores pretensões, além de fazer um filme de entretenimento não só para crianças, mas para a toda a família. Não é um filme cabeça sobre questões transcendentais, brinca o cineasta, que já está captando recursos para um novo projeto: uma comédia crítica chamada Hospital Brasil.Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NotíciasAntônio Carlos Fontoura: Não é um filme cabeça sobre questões transcendentaisFernando Miragaya
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