Uma operação delicada
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quinta-feira, 05 de junho de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Existe algum humor nas situações trágicas - um riso nervoso que por vergonha, às vezes, queremos esconder. ''Bistouri'', espetáculo da companhia belga Tof Théâtre, que estréia hoje no 40º Festival Internacional de Londrina (Filo), com reapresentações até domingo, às 19h, no Teatro Zaqueu de Melo, faz uma cirurgia no inconsciente do público, expondo a poesia do lado cômico da vida.
Na sala de operação, dizem os médicos, lembra o ator Max Vandervorst, há um senso de humor que aproxima da realidade o espetáculo de manipulação de objetos.
Tof já se apresentou em 22 países. Pela primeira vez no continente sul-americano, a companhia adepta do realismo reduzido, perverte as técnicas tradicionais de manipulação. O ator-manipulador passa a atuar como um personagem em cena, ficando à vista dos espectadores, contracenando diretamente com as marionetes. Técnica que o grupo ensina num workshop no Filo.
Uma operação, que despertou o olhar inconsciente do público no Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Belo Horizonte (BH) sem dizer uma palavra.
Um doente muito importante - o grande mistério da encenação - e um cirurgião aposentado, contagiado pelo prazer de estar de volta à profissão conduzem o enredo do espetáculo. Um encontro que nasceu da experiência do diretor e autor, Alain Moureau ao passar por uma cirurgia. ''Percebi que um moderno endoscópio com câmera de vídeo poderia resultar num espetáculo engraçado, com a câmera entrando no corpo, dando uma visão bem humorística da realidade médica'', comenta Moureau, que fundou a companhia em 1986.
''O espetáculo tem algo de surrealista. Não é lógico. Existem coisas ilógicas que, apesar disso, o público entende tudo com facilidade. É uma peça artesanal'', acrescenta o ator Vandervorst, que assina também a música, lembrando que ''Bistouri'' não tem uma atmosfera obscura, agradando todas as idades. Nesse jogo com o imaginário, bisturis, abridores de lata e serrotes servem para cortar a carne do cotidiano, permitindo que essa forma de fazer humor corra livremente pela platéia.


