Uma ópera com sotaque nordestino
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terça-feira, 13 de outubro de 1998
Elisa Marilia Carneiro 
Ópera é um trabalho - como operário é um trabalhador -, uma história com enredo e cenário, que os músicos vão contando, acompanhados de um grande violão, que é a orquestra. Assim, segundo o menestrel e compositor de óperas, Elomar Figueira Mello, fica mais fácil para os brasileiros entenderem o seu trabalho. Isso porque os brasileiros têm dois grandes medos: de ópera e de matemática.
O espetáculo Cenas Brasileiras será apresentado hoje e amanhã, no Teatro Fernanda Montenegro. A montagem faz parte do projeto Cancioneiro in Lírica, do cantador do agreste nordestino e foi aprovado pela Lei Federal do Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.
Cenas Brasileiras, são três cenas de três óperas compostas por Elomar. Escolhi as partes de maior impacto das óperas: Casa das Bonecas, O Retirante e A Carta. Mas ainda estou catequisando o público para gostar de ópera. Até os músicos brasileiros têm dificuldade em cantar em português e no dialeto nordestino, reconhece.
Em todas as cidades brasileiras que se apresentarão - 20 ao todo -, Cenas Brasileiras envolve os músicos de uma orquestra e um grupo coral. Em Curitiba participam das apresentações, a Orquestra de Câmara Brasileira e coral, sob a regência dos maestros Paulo Torres e João Omar Mello, filho de Elomar.
O público não está acostumado a assistir ópera cantada em português e dialeto. Infelizmente, as escolas de música dão mais valor aos compositores europeus e à música americana, afirma Elomar. Ele diz que as suas óperas são bem diferentes das que conhecemos. Evito os trejeitos, os rebuscamentos e as longas durações. Faço ópera para o povo, me inspiro nas suas vicissitudes, alegrias e tristezas.
Apresentando Cenas Brasileiras, Elomar faz o papel de menestrel, cantando a abertura de cada uma das óperas. A sequência das cenas fica por conta do barítono Francisco Meira, da mezzo-soprano dramátrico Luciana Monteiro de Castro, e da soprano fechado Lilian Assumpção, os três do Corpo de Ópera do Palácio das Artes de Belo Horizonte. O dançarino Paulo Chamoni faz a coreografia da Dança do Ferrão.


