A incrível odisseia à Lua ainda é uma mentira para os que se alimentam de teorias conspiratórias, mas uma outra viagem ainda mais surpreendente está sendo planejada por alguns brasileiros. Autores do primeiro livro do gênero steampunk a ser lançado no País, ''Steampunk - Histórias de Um Passado Extraordinário'' (Tarja Editorial), premetem levar os fãs do subgênero de ficção científica a um mundo jamais explorado pelo homem.
Na sonda imaginada pelos escritores a tripulação é formada por Júlio Verne, H.G. Wells, Mark Twain e Mary Shelley, reclassificados de steampunk - o gênero derivado do Cyberpunk.
Uma estação orbital mais avançada do Steampunk foi criada pelos contos de Edisonade, um gênero de histórias científicas, de Edward S. Ellis, Luis Sanarens, em que personagens como Johnny Brainerd, Frank Reade e Jack Wright vivem aventuras pelo mundo a bordo de veículos a vapor (steam), palavra em inglês que dá origem à vertente literária.
O movimento Steampunk surgiu no final dos anos 80 nos Estados Unidos. O mote é pegar os grandes avanços tecnológicos e a degradação social que a acompanha e jogar tudo isso na Era Vitoriana, em plena Revolução Industrial, no século 19.
Personagens reais e da ficção se encontram nesse mundo fantástico, como os de Gianpaolo Celli, editor da Tarja e organizador do livro, que será lançado hoje na Fantasticon 2009 - III Simpósio de Literatura Fantástica, evento que reunirá fãs do gênero na capital paulista.
''Steampunk - Histórias de Um Passado Extraordinário'' apresenta ainda noveletas de Alexandre Lancaster, Antonio Luiz M.C. Costa, Cláudio Villa, Flávio Medeiros, Fábio Fernandes, Jacques Barcia, Roberto de Sousa Causo e Romeu Martins.
Para os que ainda não estão familiarizados com Cyberpunk e Steampunk, saibam que provavelmente já mantiveram um contato imediato com os gêneros em filmes e séries de TV como ''Blade Runner'' (1982), de Ridley Scott, e ''Buck Rogers''.
Em Blade, o futuro é mais sombrio, já Buck Rogers vive suas aventuras em um período mais legalzinho.
''No Steampunk pegamos histórias que poderiam acontecer 20 ou 40 anos no futuro e transportamos para o século 19. Promovemos uma crítica social de maneira mais camuflada. Personagens como Frankenstein ou Santos Dumont, no caso de um nome nacional, e que todos conhecem, podem aparecer nas histórias, aproximando o leitor da obra'', comenta Gianpaolo Celli.
O editor conta que em ''Assalto ao Trem Pagador'', noveleta sua que faz parte do lançamento, a Europa está prestes a assistir a uma guerra franco-prussiana, em 1869. A Inglaterra convidou cientistas do mundo inteiro, inclusive o brasileiro Cláudio Bonadei, personagem real e construtor do primeiro automóvel no Brasil, para alimentarem o conflito com suas engenhocas.
Para Celli, a visão futurística do Steampunk se aproxima bastante da realidade atual.
''Acredito que não estamos tão diferentes do que mostra o gênero literário. A década de 80 foi de um capitalismo dito selvagem. Hoje, creio que estamos buscando uma tecnologia mais limpa, autossustentável. Ainda vejo o contexto do Steampunk possível e não tão horrível como outras correntes de ficção imaginavam, apesar de vivermos uma época em que a sociedade pensa em tratar bem o planeta, mas trata as pessoas como lixo''.

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