O artista plástico Richard Seabra – que se apresentou no Filo 2000 com o espetáculo ‘‘De Areia e Mar’’ – quer conquistar o espaço, ocupando o lado avesso ao da ciência. Sua proposta consiste em instalar num módulo na Estação Espacial Internacional (International Space Station - ISS), um estúdio de artes de caráter multidisciplinar.
Em entrevista exclusiva à Folha2, o designer afirma que a idéia está sendo desenvolvida no projeto de Mestrado na Academia de Design Industrial de Einhoven, Holanda. A Estação Espacial Internacional (ISS), ainda em construção, se localizada a 450 km da Terra. A cada 90 minutos dá uma volta inteira em nosso planeta. A ISS possui 100 metros de comprimento e um volume similar ao de dois Boeings 747. O projeto abrange especificamente a arquitetura de interior, num espaço aproximadamente de 8 x 4,5 m. De acordo com Seabra, tudo está sendo feito dentro dos padrões estabelecidos pela Nasa.
A ISS pretende trabalhar com 7 astronautas. Seabra gostaria que uma dupla de artistas fosse para a Space Shuttle, nome dado à nave. Nas viagens espaciais, os astronautas sempre fazem um showzinho coreográfico, aproveitando a quase ausência de gravidade. A microgravidade será um aspecto a ser explorado dentro das artes, mas não é o único.
A primeira heureca concebida por Seabra seria a de construir um teatro nesse módulo. Essa idéia foi amadurecendo, logo após uma série de entrevistas com vários artistas, quando constatou que apenas um teatro limitaria o conceito de criação fora do nosso espaço físico. Agora, ele vislumbra nesse módulo reservado aos artistas dois ambientes. Um será destinado à performance, dotado de luzes, paredes especiais, amplas janelas para dar asas à imaginação. O segundo ambiente seria um espaço de encontro entre artistas e astronautas. Nessa viagem arquitetônica, Seabra planeja incluir um sofá espacial e livros revestindo o teto.
Todos que conhecem o projeto questionam Seabra: por que os artistas precisariam ir ao espaço? Afinal, muitos viajam por aqui mesmo. ‘‘Os músicos, poetas, cineastas, coreógrafos, escritores vão contribuir para a exploração espacial de forma inusitada, falar sobre nós mesmos. Há um enorme potencial poético no espaço’’, acredita Seabra.
‘‘O espaço está esperando a gente, existem profundezas inimagináveis’’, prossegue. Ele argumenta que a exploração não é competência somente da ciência. Os artistas durante seu processo criativo, estão sempre explorando. Seabra afirma que existem caminhos em que a ciência não pode trilhar. Essas idéias já foram levadas à comunidade espacial, que recebeu as propostas com rostos iluminados. Seabra esbarra na indústria espacial excessivamente burocrata. O mestrado com essas idéias será finalizado em fevereiro de 2001 (data sugestiva, sobre a odisséia artística no espaço). Depois, Richard Seabra assumirá o papel de lobista, fazendo conferências para a comunidade espacial, no intuito de aceitarem seu projeto e incluir o Módulo Isadora.
Os interessados em conhecer as idéias e contatar o designer podem navegar no site www.isadoramodule.org. Ou então, pelo e-mail [email protected]. Quem pretender deixar a microgravidade e impulsionar o lado criativo, Seabra avisa: ‘‘vá ser gauche no espaço’’.

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