UMA NOVATA EM APUROS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de julho de 2000
André Bernardo TV Press 
A atriz Juliana Silveira não sabia se ria ou chorava. Quando recebeu a sinopse de Laços de Família, entregue pelo autor Manoel Carlos, o perfil da personagem de Juliana, a doce Patrícia, se resumia a uma única linha: a melhor amiga de Ciça. Por um lado, ela sabia que a ausência de um perfil mais detalhado no resumo dificulta qualquer processo de elaboração. Por outro, sentiu-se encorajada por ter de decifrar as características mais marcantes da personagem. No final das contas, não teve outra alternativa senão compor a Patrícia na medida em que recebia os capítulos para gravar. O papel é do tamanho da minha experiência. Se fosse maior, talvez não me sentisse tão à vontade para fazê-lo, confessa.
A primeira pista que Juliana recebeu da personagem foi sob a forma de rubrica do autor. Num dos capítulos da novela, Manoel Carlos escreveu que Patrícia conseguia manter a serenidade mesmo diante da rabugice da intempestiva Ciça, vivida por Júlia Feldens. Foi justamente ali que Juliana chegou à conclusão que o jeito meigo de uma servia de contraponto para o temperamento difícil da outra. Pretendo ressaltar na novela esta dualidade. A Pat chega a se divertir do mau humor da Ciça, acrescenta.
Em busca de referências, Juliana até pensou em telefonar para o autor e pegar maiores detalhes sobre a personagem. Na primeira reunião de elenco, ela bem que tentou se aproximar de Manoel Carlos, mas a timidez falou mais alto. Morri de vergonha. Bobeira minha, admite. O esperado encontro entre os dois só veio a acontecer na festa de lançamento da novela, no Jóquei Clube Brasileiro, no Rio de Janeiro. Mesmo assim, a iniciativa teve de partir do autor. Até pensei em me apresentar, mas ele disse que sabia quem eu era. E disse também que o meu personagem ainda vai crescer muito na trama, derrete-se.
Em seu segundo trabalho em novelas, Juliana Silveira optou por evitar todo e qualquer laboratório. Quando interpretou a garota de programa Dagmar em Pecado Capital, a atriz chegou a passear pelo calçadão de Copacabana, na Zona Sul do Rio, a fim de acompanhar o trabalho de prostitutas e meretrizes. Desta vez, preferiu apenas seguir a intuição. Sua única preocupação disse respeito ao fato de se considerar muito careteira. Eu me policio à beça. Mas, quando vejo a novela, sempre acho que exagerei na dose, critica.
Aos 20 anos, Juliana nunca esteve tão certa do que espera do futuro quanto agora. Até pouco tempo, admite que brincava de ser atriz. Embora já trabalhasse como atriz desde 98, quando participou da novelinha Caça-talentos, ainda não estava convicta da profissão a seguir. No ano passado, Juliana chegou até a gravar um CD com repertório infantil pela gravadora Universal. No entanto, mudou de idéia e resolveu investir na carreira de atriz. Para tanto, já se inscreveu no Curso de Formação de Atores da Faculdade da Cidade, no Rio. Parece que a ficha só caiu quando fiz 20 anos. Antes, brincava de ser atriz. Hoje, levo essa brincadeira muito a sério, garante.
Enquanto não começa as aulas teóricas na faculdade, Juliana procura se aperfeiçoar na prática. Dos muitos atores que atuam em Laços de Família, ela elege Tony Ramos como favorito. Por isso mesmo, se sente uma privilegiada por trabalhar no mesmo estúdio que ele. O Tony é um santo! Não se estressa por nada e está sempre fazendo piada. Quando crescer, quero ser igual a ele, brinca.
No que diz respeito ao bom humor, os dois até que são bastante parecidos. Juliana solta uma gargalhada ao lembrar das vezes em que foi confundida com a atriz norte-americana Alicia Silverstone. Na última vez em que viajou para Nova Iorque, tirou proveito da semelhança física para furar a fila que dá acesso às barcas que cruzam a Baía de Manhattan. De quebra, ainda posou para fotos e distribuiu autógrafos como Alicia Silverstone. Só não podia abrir a boca. Senão, estragava tudo, ri.


