Uma nova leitura através da ilustração
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quinta-feira, 21 de maio de 2009
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
Fazer os desenhos de um livro infantil é bem mais difícil do que parece. Para ilustrá-lo, não basta apenas retratar o que está escrito na história. Aliás, isso é o menos recomendável, já que não acrescenta nada à publicação. É preciso criar, sem modificar o conteúdo. ''A ilustração tem que complementar, sem contradizer nem repetir o texto'', explica a ilustradora Lara Hadad.
Lara é formada em artes plásticas e tem mestrado em literatura, mas foi em um curso em Lisboa que aprofundou seus conhecimentos em ilustração. Ao retornar, quis complementar os estudos por aqui, mas não encontrou cursos sobre o tema. Ela resolveu então criar o próprio curso.
Foi assim que surgiu, em 2003, o projeto Ilustres Idéias, que a partir de 2005 recebeu apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) e se transformou em ''Desenhando Histórias'', um curso de formação de ilustradores para livros infanto-juvenis. Desde então, cerca de 150 alunos já se formaram e boa parte está trabalhando na área, em editoras locais e nacionais.
''Meu objetivo é propiciar o acesso a quem nem sempre pode pagar um curso como esse, e revelar novos talentos'', afirma Lara, acrescentando que a ideia é aproveitar também a estrutura oferecida pela cidade. ''Londrina tem gráficas, editoras, faculdades de educação artística, artes visuais e design. A cidade tem tudo para se tornar um pólo de formação e difusão desses profissionais''.
O curso é a oportunidade para que aspirantes a ilustradores possam aprender essa profissão fora dos meios acadêmicos, e o melhor: sem precisar pagar por isso. Sérgio Roberto Gurski, 32 anos, encontrou nas aulas exatamente o que procurava. ''Ser escritor e ilustrador é tudo o que eu queria na vida'', confessa. ''Acho que a pessoa que escreve e ilustra pra crianças é muito feliz, porque trabalha com a imaginação, o lúdico. E isso é muito gostoso'', comenta.
As aulas de ilustração têm servido também para complementar a formação de profissionais como Viviane Fujita, 20 anos, formada em Artes Visuais. Para ela, ilustrar livros infanto-juvenis é difícil justamente porque os traços têm que ser simples, mas marcantes. ''Tem que carregar na expressão, passar alguma coisa. E também tem uma preocupação educadora'', analisa.
Murilo Marçal, 19 anos, resolveu fazer seu trabalho de conclusão de curso em Artes Visuais sobre ilustração literária, tomando como base o livro Capitães de Areia, de Jorge Amado. ''Ele mostrou que é possível fazer crítica social através da literatura. Eu acredito que por meio da ilustração é possível fazer o mesmo''.


