UMA NOVA CONCEPÇÃO DE CINEMA

Albari RosaAnthony Queen: ‘‘Deve-se fazer filmes para o homem crescer’’Anthony Queen
espera que
um novo pólo
cultural surja
no Brasil
Zeca Corrêa Leite
Lorenzo, filho de Anthony Quin, é o retrato do pai quando moço. Escritor, escultor, pintor é um ‘‘grande artista’’ e ‘‘faz parte de tudo que eu faço’’, segundo as palavras do ator. A novidade na entrevista coletiva que ele concedeu à imprensa nacional, quinta-feira passada em Curitiba, foi a de que Lorenzo participará do filme ‘‘Oriundi’’, que começa a ser rodado dia 16.
‘‘Eu quero ele comigo sempre; ele se parece muito comigo quando eu era jovem. Então vamos trazê-lo para fazer o meu papel quando jovem’’, anunciou. Na mesma sala ocupada por dezenas de jornalistas, na sede da Telepar, estava o rebento mais novo, Ryan, de dois anos e meio, no colo da mãe.
Anthony Quinn distribuiu novamente o bom humor e a simpatia que o marcaram no primeiro encontro com a imprensa na residência onde está hospedado. Aliás, ‘‘uma casa fabulosa’’, com piscina e espécies de árvores que ele nunca viu na América. Mas o assunto foi ‘‘Oriundi’’, um filme que trafega pelo lado terno do ser humano, e que fisgou o ator justamente pela temática.
Chega de filmes violentos, ódios e mortes corroendo uma realidade que já tem suas cores nefastas. Ninguém vive no melhor dos mundos, mas ele também não é só tiros e mortes, o que vale é a emoção humana. ‘‘Deve-se fazer filmes para o homem crescer’’, afirmou.
Quando estudava Arquitetura, Quinn teve um professor que lhe ensinou ‘‘uma única coisa’’ jamais esquecida: nunca se deve pensar no tamanho físico do homem, mas no tamanho do seu espírito. É o que está acontecendo com ‘‘Oriundi’’:
- Não é uma história banal, de bobagem, de clichê como foram feitos muitos. É uma nova concepção de filme.
Sem ser amargo e desiludido, Anthony Quinn acredita que a América jamais faria ‘‘Zorba, o Grego’’ ou ‘‘La Strada’’, dois de seus mais famosos trabalhos. Portanto, cabe à Europa e agora também a América Latina serem portadoras desse novo movimento de produções cinematográficas que não apelem para tiros, carros incendiando-se numa profusão de sangue e mortes.
O ator espera que um novo pólo cultural surja desta vez no Brasil, assim como já aconteceu com a Itália. Aqui há muita ‘‘energia e atores fabulosos. Existem tantos temas bons a serem tratados, que gostaria de voltar a trabalhar aqui’’.
Ao seu lado estava o diretor Ricardo Bravo. Alguém quis saber como eles se conheceram e Quinn sintetizou os caminhos do destino numa frase: ‘‘Nós nos conhecemos porque temos um sonho. E a amizade sempre começa de um sonho’’. Assim como é sensível nas respostas, é esperto quando o assunto é futebol. O Brasil vai ganhar a Copa, disse marotamente.
Mas, e o tênis? Ele queria saber do resultado da disputa de Monica Seles e Martina Hingis, e não viu nada na televisão. Voltando aos laços com Ricardo Bravo, comparou-o a ‘‘um filho’’. ‘‘Eu vou aprender muito com ele, e ele também vai aprender um pouquinho comigo’’, contou.

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