ReproduçãoGeorge Gershwin: centenário que será comemorado em setembro inspira concertos em todo o mundoEste ano, Londrina será palco de mais uma homenagem ao centenário de um dos maiores compositores americanos deste século. Próximo a completar 100 anos de nascimento, em 26 de setembro, o compositor norte-americano George Gershwin é o grande homenageado da Série Crystal Palace, que começa hoje, em Londrina. O concerto ‘‘Gershwin - 100 anos’’ abre a temporada 98 da Série, às 20h30, no Teatro Crystal, com uma apresentação dos cantores norte-americanos Roberta Laws, Arthur Thompson e do pianista Larry Fountain.
O programa desta noite será dividido em duas partes. A primeira traz canções spirituals, de compositores negros americanos como John Work e Mark Fax. A segunda parte vai mostrar canções que fazem parte das árias da ópera ‘‘Porgy and Bess’’, de Gershwin.
Em entrevista à Folha, Arthur Thompson contou que o trio elaborou um programa basicamente americano. ‘‘Cada um de nós escolhe algumas canções para compor o programa. Será um pout-porri de boas peças’’, explica Arthur, que mora em Nova York (aliás, no mesmo prédio onde morou Gershwin) e já esteve várias vezes no Brasil. O barítono Thompson também vem se apresentando em todas as temporadas do Metropolitan Opera House, desde 1974, e é considerado um dos mais talentosos cantores dos Estados Unidos.
Dorico da SilvaO pianista Larry Fountain, o barítono Arthur Thompson e a soprano Roberta Laws apresentam-se hoje em Londrina: parte do programa é dedicado a Gershwin
A soprano Roberta Laws, que também mora em Nova York, fez sucesso na temporada de abertura do Teatro Municipal, semana passada, em São Paulo (onde se apresentou ao lado de Thompson e do londrinense Marco Antonio Almeida). O público pediu ‘‘bis’’ quatro vezes, para poder ouvir mais um pouquinho de ‘‘Summertime’’. As apresentações mais recentes de Laws incluem estréias com a Orquestra da Filadélfia, Sinfônica de Detroit e Sinfônica de Indianápolis.
Para acompanhar os dois cantores, nada menos que o pianista Larry Fountain, que iniciou sua carreira no Metropolitan Ópera Studio de Nova York e hoje é maestro preparador do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. É considerado um dos melhores cameristas no repertório vocal e lírico.
A Série Crystal Palace é organizada pela Vivarte Produções Culturais, empresa de prestação de serviços que tem como sócias as musicistas Lilian Almeida e Maria do Carmo Duarte. A Vivarte tem como objetivo colocar Londrina no eixo cultural Rio-São Paulo. ‘‘A intenção é fazer isso sem precisar se deslocar para os grandes centros’’, argumenta Lilian.
Em seu terceiro ano, a Série Crystal conseguiu credibilidade junto ao público e aos patrocinadores. ‘‘Apesar da participação crescente do público, queremos abrir ainda mais o leque de possibilidades de escuta da música de todo tipo. A música erudita não é elitista. Nós é que a fazemos assim. Porque temos que pensar que o povo quer ouvir somente um gênero musical?’’, diz Maria do Carmo.
Autor da primeira e maior ópera americana, ‘‘Porgy and Bess’’, Gershwin foi também pioneiro na tentativa de unir o erudito ao popular e em levar o jazz e o blues para a orquestra sinfônica. Na música popular, compôs para a Broadway musicais como ‘‘Um Americano em Paris’’ e ‘‘Girl Crazy’’. Mas, durante sua vida, Gershwin foi vítima de um preconceito comum entre os músicos e o público dos concertos clássicos: como levar a sério um ‘‘fabricante’’ de operetas e cançõezinhas populares? Depois de lutar para conferir nobreza aos temas de jazz que o inspiravam, bem como aos do folclore local, o esforço de síntese - ainda chamado, algumas vezes com desprezo, de jazz sinfônico - parece não ter sido ilusório.
George Gershwin nasceu no Brooklyn, em Nova York. Em 1916 começou a compor canções como ‘‘Making of a girl’’, incluída num musical da Broadway. Pouco depois criou seu primeiro musical, ‘‘Half Past Eight’’, mas o triunfo chegou com ‘‘La La Lucille’’, na Broadway.
Uma das obras que mais contribuíram para o renome de Gershwin veio em 1924. ‘‘Rhapsody in Blue’’ nasceu quando o maestro Paul Whiteman pediu a Gershwin uma obra sinfônica, comprometendo-o de tal maneira que o obrigou a criá-la. Paul colocou um anúncio no jornal com a notícia de um concerto de jazz, no Aeolian Hall, destacando que a obra central seria uma composição sinfônica escrita por George Gershwin.
A obra selou um marco importantíssimo na história dos Estados Unidos, ao comprovar-se o nascimento da sua própria música sinfônica, criada com elementos genuínos e extraídos de um povo jovem, forte e com garra. O blues, o spirituals e o jazz ganharam ritmos e notas com outra roupagem.
Com a estréia de ‘‘Um Americano em Paris’’ em dezembro de 1928, com a Orquestra Filarmônica de Nova York, as partituras de Gershwin, cada vez mais cobiçadas, percorreram o mundo. Suas atuações como solista e compositor contribuíram para sedimentar sua fama.
Em 1935, outro marco brilhante acontece na carreira de George: a ópera folclórica ‘‘Porgy and Bess’’. Segundo o jornalista uruguaio Rolando Scoseria, muito se tem dito e comentado sobre o verdadeiro valor desta ópera americana, mas há algo que ninguém pode negar, que é seu êxito sem limites.
Chega o verão de 1937. George se encontrava nos Estúdios Goldwin quando passou mal. No início, era só cansaço, um estado provocado por excesso de trabalho. Em poucos dias voltou a ser o de antes. Foi apenas uma trégua: muito pouco tempo depois, às 10 da manhã do dia 10 de julho, sofre o segundo ataque. Em estado de coma é levado para o Hospital Cedros do Líbano, onde falece em 11 de julho de 1937, vítima de um tumor cerebral.
Nomes famosos como Judy Garland e Fred Astaire interpretaram Gershwin. Ella Fitzgerald também cantou e gravou canções de George e Ira (irmão mais velho) Gershwin, que fazem parte do songbook que a cantora gravou pela Verve, em 1959.
Série Crystal Palace - Concerto Gershwin - 100 Anos. Hoje, às 20h30, no Teatro Crystal Palace (Rua Quintino Bocaiúva, 15). Ingressos R$ 10 (antecipados) e R$ 15 (na bilheteria). Estudantes com carteirinha e maiores de 65 anos pagam meia. Venda antecipada no Crystal Palace e na Vivarte, pelo fone (043) 323-5770. Patrocínio: Prefeitura de Londrina (Lei de Incentivo à Cultura), Banestado, Crystal Palace, Sercomtel, Jabur Informática, Viação Garcia, Cultura Inglesa de Londrina e Panificadora Pão-de-Ló.

mockup