Uma noite para cartola
A 17ª Oficina de Música de Curitiba abriu oficialmente, anteontem, sua segunda fase, destinada especialmente à música popular. A noite foi dedicada a Cartola. No palco a Orquestra do Conservatório de MPB abriu a sessão com Cartoleana, de José Barros, uma série de variações para orquestra sobre as composições do mestre da Mangueira. Diversos cantores participaram do espetáculo.
O show foi o ponto final de uma festa que começara uma hora antes, com a abertura de uma exposição montada pela professora Maria Clara Wasserman e os lançamentos do livro Cartola - Os Tempos Idos, de Marília Barbosa Silva e Arthur de Oliveira Filho, e do CD Cartola - O Sol Nascerá, pela gravadora Revivendo Músicas.
Marília Barbosa Silva veio a Curitiba para autografar a obra, ao lado de dona Zica, viúva do compositor. Publicado pela Editora Gryphus, o volume tem mais de 400 páginas. Já o disco reúne todas as composições de Cartola registradas em discos de 78 rotações, além de algumas faixas em LP.
Leon Barg, colecionador e proprietário da Revivendo, explicou que como o compositor é sempre motivo de homenagens, a Revivendo não causaria impacto imediato fazendo disco dele. Atendendo ao pedido de Roberto Gnattali, diretor geral do evento, Barg fez a coletânea da obra de Cartola nas vozes de Francisco Alves, Carmen Miranda entre outros cartazes do passado.
Cartola, graças a Deus, foi muito feliz em vida e está sendo agora, depois de morto. Onde se encontra, deve estar feliz e agradecendo a todos por esse carinho, comentou Dona Zica, emocionada com o movimento à volta.
Ela explicou que sempre foi macaca de auditório do compositor. Todas as músicas que ele fazia, ela gostava. Uma, porém, é especial: O Mundo é um Moinho. É a mais forte de todas, justificou, e mesmo dizendo que cantar não é seu forte, entoou os versos da canção, satisfeita.
A lembrança constante do mangueirense deve-se ao carisma que do compositor, arriscou dona Zica. É sinal de que ele foi boa pessoa. A vida para ele valeu a pena. Depois de Cartola outra das paixões da senhora que já passou dos 80 anos é a Mangueira.
Eu zelo pela Mangueira porque ele fundou-a. Ele sofreu, apanhou por causa dela, e deixou agora e ela está progredindo mais. Zelo por ela por amor à verde-rosa da minha escola, e por amor a ele que se sacrificou para deixar a escola para nós, declarou à Folha.
Dona Zica espera pelo carnaval, quando a Mangueira mais uma vez sairá linda. Se Deus deixar estarei lá acompanhando minha escola. O tema é o Século do Samba; é uma homenagem aos compositores antigos do samba. Entre eles estará Cartola, que tinha música e poesia refinadas.
Nada que se compare ao que está hoje nas rádios e televisões. Se Cartola fosse vivo hoje ele morria de novo, vendo as músicas que estão aí. Justamente ele que tinha gosto, que fazia música que tinha sentido. Hoje são só bobagens, Ele se ouvisse morreria de novo. Acho que morreu na hora certa.Marcelo AlmeidaDona Zica: Se Cartola fosse vivo hoje ele morria de novo, vendo as músicas que estão aíZeca Corrêa Leite





