Uma noite no cinema
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
A ficção finge a realidade, um dos encantos do cinema, ilusionismo capaz de transformar qualquer lugar numa sala de exibição. Basta uma tela e o público ansioso por assistir uma boa história a ser contada.
Uma viagem sem sair da poltrona ao mundo visionário de Stanley Kubrick, ao universo fantástico de Steven Spielberg ou passional e melodramático de Pedro Almodóvar. À ficção tudo é possível, desde que guardando algumas verossimilhanças com a realidade - uma das artimanhas da ilusão.
Já que tudo é possível ao cinema, o personagem Disney japonês de ''A Viagem de Chihiro'' (2001) deixou o mundo deserto e sem nenhum habitante do filme do diretor Hayao Miyazaki para se misturar aos frequentadores da Feira da Lua do Zerão em mais uma sessão de cinema ao ar livre do Cine-Sesc.
O personagem e muitos outros do cinema têm encontro marcado semanalmente com o público na programação que exibe, hoje, às 19h, o curta-metragem ''No Princípio Era o Verbo'' (2005), de Virgínia Jorge, e, na sequência, o longa ''Tapete Vermelho'' (2006), de Luiz Alberto Pereira.
Casais de namorados, famílias, gente que vai pela primeira vez à feira, o público reúne diferentes pessoas que precisam só da tela para entrar no mundo do cinema, dispensando a pipoca já que estão rodeadas de uma profusão de opções gastronômicas.
''A minha filha está assistindo a um tempão. Estamos aqui por causa dela. É a primeira vez que viemos. Gostei de encontrar uma exibição porque as crianças ficam quietas, deixando a gente conversar. Chamei ela para comer alguma coisa, mas não quis para não perder nada do filme'', disse a manicure Irani Alves, 40 anos, que estava acompanhada do marido, o mecânico de manutenção, Jorge Luís da Silva, 40 anos, e a filha Luísa Alves da Silva, quatro anos.
O servidor público federal Fernando Takashi Itakura, 31 anos, toda semana leva o filho, Eduardo Yoshiro Itakura, para a sessão ao ar livre. ''Acho ótima a iniciativa, que é um incentivo à cultura e à divulgação do cinema'', comentou.
Chihiro conseguiu prender a atenção até de quem estava ali trabalhando, como a babá Cristiane Arco, 19 anos, que sem descuidar da criança que cuidava, também se divertiu com a aventura da garota japonesa. ''É a primeira vez que venho, estou achando muito bom. Vou ficar até o final do filme'', disse a jovem sem desgrudar os olhos da tela.
Cristiane, a família Alves e os demais frequentadores têm motivos para voltar, além das opções de cardápios da feira, o acervo do Cine-Sesc também é grande e variado, com mais de 100 títulos. Filmes que não tiveram muito destaque no circuito comercial, como ''Doutores da Alegria'' (2005), de Mara Mourão, e ''Os Irmãos Grimm'' (2005), de Terry Gilliam, fazem parte da programação do Cine-Sesc, projeto desenvolvido em todo o Brasil.
Curtas-metragens exibidos no Anima Mundi Festival também já estiveram em cartaz no cinema ao ar livre, voltando à programação em novembro. ''Os filmes são selecionados pelo Sesc, através de uma curadoria. A programação procura privilegiar todos os gêneros. A preocupação é ser apropriado para todos os públicos. Muitas crianças assistem, mas também queremos despertar a atenção e o interesse dos adultos'', explica o programador cultural do Sesc, Alexandre Simioni.
A estrutura montada para o público estimado em 1.000 pessoas por sessão é bastante simples: equipamento de som, projetor e apenas algumas cadeira. A intenção é que os frequentadores assistam aos filmes de qualquer lugar.
No ano que vem o Cine-Sesc pretende levar Chihiro e outros personagens do cinema para mais uma feira da lua em Londrina. Um projeto que não é ficção e que o público espera virar logo realidade.


