São Paulo, 05 (AE) - Um vagabundo poético flanando sobre as emoções mais puras. Assim, o ator Marco Nanini define o personagem que interpreta na comédia "Uma Noite na Lua", monólogo escrito e dirigido por João Falcão, que estréia amanhã (06) no Teatro Cultura Artística, em São Paulo.
Nanini interpreta um homem deslocado no ambiente masculino, do tipo que não gosta de futebol e não sabe ser competitivo no mercado de trabalho. Quando a peça tem início, ele voltou de uma festa na qual garantiu a um ator famoso ter escrito uma obra cujo ponto de partida é "um homem no palco pensando", exatamente o texto que o tal ator procurava.
Como prometeu entregar a peça na manhã seguinte, ele agora tem uma noite para a criar. Insone, luta contra os pensamentos porque, no lugar de idéias geniais, o que teima em invadir a mente dele é a imagem de Berenice, sua mulher, por quem foi abandonado recentemente.
"Falcão criou um texto dinâmico e interessante para falar de um sentimento banal, mas, nem por isso, menos dramático
que é o amor", diz Nanini. "O personagem é um homem com os sentimentos à flor da pele, sofrendo por um casamento desfeito, que tenta quixotescamente realizar um golpe teatral para reconquistar a admiração de Berenice."
O ator ressalta a capacidade do autor de explorar o universo feminino, experiência demonstrada em "A Dona da História". A peça, cuja trama contrapõe momentos distintos da vida da uma mulher, aos 20 e 50 anos de idade, - interpretada por Andréa Beltrão e Marieta Severo -, encerrou recentemente a temporada em São Paulo. Quem não teve a oportunidade de ver pode pelo menos conhecer o texto, que foi lançado em livro editado pela Objetiva.
Em "Uma Noite na Lua", o personagem principal é um homem totalmente obcecado pela ex-mulher, Berenice. "Na sala de seu apartamento, sem nenhum observador - a não ser o público -, ele desnuda-se da máscara do machismo e mostra-se em toda sua fragilidade." Nesse caso, a mulher está invisível, mas tem grande importância na peça. "Dá para perceber que Berenice foi uma mulher extraordinária, que aturou todos os seus defeitos até o limite, antes de o abandonar."
No palco, Nanini praticamente contracena com uma parafernália tecnológica controlada por nada menos que seis técnicos durante o espetáculo. Efeitos técnicos propiciam que o personagem viaje ao mundo da lua ou mergulhe nas imagens de inconsciente. A trilha sonora é parte integrante da peça e, em alguns momentos, Nanini tem de começar uma fala no início de uma música e terminar extamente no fim.
Longe de ver o uso da tecnologia em cena como uma amarra
Nanini encara-o como estímulo ao trabalho de intérprete. Segundo ele, as marcações muito rígidas protegem o personagem de uma possível indisciplina ou desatenção do ator. "Atenção às marcas não significa perda de liberdade para criar e sim estímulo para me concentrar no colorido e na pulsação do personagem", diz. "A vantagem é não permitir ao ator se desviar de seu objetivo para ficar se exibindo em cena."
Serviço - "Uma Noite na Lua". Monólogo. Texto e direção de João Falcão. Com Marco Nanini. Duração de uma hora e 20 minutos. Amanhã e sábado (07), às 21h30; domingo, às 18 horas. Preço dos ingressos: 25 e 30 reais (sábado). Teatro Cultura Artística - Sala Esther Mesquita. Rua Nestor Pestana, 196, tel. (0xx11) 258-3616.

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