Uma noite cheia de 'boas intenções'
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sábado, 31 de agosto de 2013
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Na noite de um bar tudo pode acontecer. Sob o efeito do álcool, as mais diversas verdades têm o espaço ideal para aflorar, deixando de lado as máscaras que carregamos devido às convenções sociais. Ao recriar cenicamente um bar, com mesas dispostas em um palco não convencional, o consagrado Lume Teatro, de Campinas (SP), faz mais uma vez um exercício de aproximação com o público, que acaba virando coadjuvante dessa história repleta de personagens surreais e mais próximos do que pensamos. Em "Os Bem-Intencionados", que será apresentado hoje e amanhã, às 20h30, no Teatro Filo, o público é convidado a literalmente tomar uma cerveja e dividir a mesa de bar com figuras típicas da noite por mais de duas horas de apresentação.
"Tentamos recriar realmente a atmosfera de um bar e o tempo maior acabou sendo uma necessidade para o desenrolar das cenas. Há também música ao vivo, com piano, sanfona e bateria", adianta a atriz Naomi Silman, que destaca a composição musical de Marcelo Onofri, que toca piano durante a performance. Inicialmente de tom leve, como quando chegamos a um bar e começamos a beber e falar amenidades, no decorrer da peça o tom do texto vai sendo modificando, abrindo espaço para a mudança de linguagem, que é demarcada por um rápido intervalo que ocorre durante a apresentação.
Com 28 anos de estrada, o Lume é referência quando o assunto é teatro de qualidade e até mesmo isso serviu de inspiração para o desenvolvimento do espetáculo. "Começamos a investigar questões relacionadas à busca do sucesso, o sonho de ser artista e até mesmo no peso de ser referência em alguma área. Acabamos criando personagens da noite com diferentes características e personalidades, sendo que Os Bem-Intencionados é um grupo de aspirantes a cantores, que querem descobrir o que motiva esse sonho", explica Naomi.
Em um trabalho coletivo composto por sete atores, o grupo trabalhou pela primeira vez com a diretora mineira Grace Passô, vencedora dos prêmios Shell e APCA 2005 como melhor dramaturga. "É sempre importante um olhar de fora e ela fez um trabalho excepcional, conseguindo ler o artista de uma forma precisa e valorizar o nosso papel enquanto grupo", destaca Naomi. A peça estreou em 2012 e rendeu ao grupo duas indicações ao Prêmio Shell 2012 (Iluminação e Categoria Especial pelos 25 anos de trabalho continuado de pesquisa).
- Comédia circense com 'No Pocket'
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