Sucesso é bom e todo mundo gosta, mas para Ivete Sangalo, a atual musa imitada por outras cantoras do gênero, porém dona de um carisma incomparável, capaz de proezas como lotar com mais de 50 mil pessoas o Maracanã, o maior estádio de futebol do mundo, o trabalho no começo da carreira de qualquer artista é tão importante quanto a fama.
Desde que trocou o posto de vocalista da Banda Eva, em 1999, pela carreira solo, Ivete tem experimentado o doce sabor do sucesso, contabilizado pela estrondosa vendagem - em tempos de pirataria - do ''Ivete Sangalo - Multishow ao Vivo no Maracanã'', uma megaprodução que papou, com poucos dias de vendagem, o DVD de platina.
Com uma média de 10 shows por mês, a cantora é uma das preferidas dos paparazzi, mantendo uma relação mais que cordial com a mídia, seguindo a linha falem o que quiserem falar de mim, mas falem.
Para a cantora, que emplaca uma música atrás da outra, desde que apareceu no cenário musical, a escolha do repertório obedece a um critério muito pessoal tipo ''gostei, me pegou, gravei''.
Na última sexta-feira, Ivete se apresentou em Londrina para um público de mais de 30 mil pessoas no Centro de Eventos. Sábado foi a vez dos pontagrossenses conferirem o carisma da baiana.
Muitos fãs que assistiram ao show londrinense garantem que foi justamente o carisma da cantora que ajudou a evitar incidentes com a legião de admiradores, que quis ver de perto a musa.
Para Ivete, imprevistos, como os problemas técnicos que aconteceram no show do Maracanã, estão sujeitos a acontecer, afirmando que procura amadurecer diante deles. Confira entrevista da cantora por e-mail à FOLHA2.


FOLHA2 - Como você avalia o amadurecimento da sua carreira? O que você fez que considera erro e/ou acerto?
Ivete - Sempre a gente acerta e erra. Mas esse conceito de acerto e erro em música é muito relativo. Às vezes, só nós profissionais da área detectamos essas coisas. Na soma de tudo, o resultado é muito, mas muito positivo.


Alguns cantores gostam de dar oportunidade para artistas novos. O que você considera importante para quem está estreando? Você gosta de dar chance em seus shows para os novatos?
É preciso se envolver de maneira honesta. Sempre digo que o começo é tão importante quanto o momento de sucesso. adoro ver novos artistas despontando e, parte deles, faço questão de dividir o palco. Foi tão importante, quando comecei a carreira, a ajuda e oportunidade de outros artistas.


Quando você prepara um novo CD, qual o critério de seleção de repertório e o que você gostaria de gravar que ainda não gravou?
Critério é como a música me toca. Seja de forma melódica ou rítmica. Na verdade não estabeleço tantas regras. Gostei, me pegou, gravei.

Você costuma planejar sua carreira a longo prazo? Quais são os seus projetos?
Na verdade, não planejo a longo prazo. Sempre me dedico aos projetos que idealizamos em caráter de urgência. Ensaios e idéias que me vêm à cabeça em forma de música ou até de imagem, como aconteceu no DVD do Maraca. Mas gosto de viajar, mas não projetar tanto no futuro. Vamos deixar rolar.

Você acredita na responsabilidade social do artista? Você faz alguma coisa nesse sentido?
Sim, acho que não só o artista, o cidadão tem suas responsabilidades sociais. É fundamental no nosso País iniciativas dessas. Tenho hoje uma parceria incrível com a Fundação Pio XII, que administra o Hospital do Câncer de Barretos. A idéia é rastrear o câncer de mama e colo de útero e conscientizar as mulheres e suas famílias sobre o tamanho dessa doença e formas de prevenção e cura.

Como é fazer um show para mais de 50 mil pessoas, como foi o do Maracanã, e como você lida com alguns imprevistos, que acabam acontecendo no palco? Você costuma cobrar muito a equipe de produção e assessores?
Foi incrível. Momentos mais lindos do mundo foram vividos ali. Estou feliz. A minha equipe se doou de corpo e alma em todos os aspectos. Foram profissionais como de costume. Imprevistos acontecem e temos que amadurecer diante deles. Foi uma experiência única e não troco por nada no mundo. O povo foi campeão.

O que você acha do público da Região Sul?
Amo demais. Você sabia que a maior parte dos comentários do meu blog vem do Sul do Brasil? Pois é. Adoro tudo. A maneira de falar, a força cultural e a maneira de viver. Adoro a estética do Sul. Amo de verdade.

Muitos grupos de axé surgiram e desapareceram com a mesma velocidade. O que você acha que acontece e o que é preciso para se manter no mercado?
Não sei o que faz isso acontecer. Cada artista tem uma postura na música quanto na prática profissional. Não posso pontuar isso como regra. Seria loucura. Cada um vem e escreve a sua maneira seu caminho.

Não faz muito tempo você lançou o DVD MTV ao Vivo e agora o Multishow. Foi uma imposição da gravadora ou existe mercado para isso?
Lancei um DVD ao Vivo MTV, em 2002. Um ano depois, lancei um disco de estúdio chamado ''Super Novas'' e, no ano passado, fiz o ''Ao Vivo'', que lançamos agora. Tempos normais. A gravadora não se envolve dessa maneira que vocês imaginam na minha carreira. Cada projeto é sempre um desejo íntimo e particular e acabo tornando isso um desejo coletivo.

Muitas coisas são faladas sobre você nas revistas e jornais. Como procura se relacionar com a imprensa?
Acho tão natural. Sou artista, apareço mesmo e isso tem uma exposição. Natural demais. Gosto de saber do que se fala do meu trabalho e até de mim como mulher.

mockup