UMA MULHER QUE GERA ARTE
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de junho de 2001
Simone Mattos De Curitiba 
Uma forte analogia entre a origem da vida e o processo de criação artística está presente na exposição Partos Nossos de Cada Dia, que a mineira Bernadete Amorim inaugura hoje, no Museu de Arte do Paraná (Map), em Curitiba. Ao todo, são 18 obras, que estarão no local até o dia 18 de julho.
Esta é a quinta exposição individual da artista, que desenha desde a infância e mora em Curitiba desde a adolescência. Profissional há dez anos, nas mostras anteriores ela resgatou suas memórias, através de fotografias de família e outras lembranças. Acho que os mineiros têm esta particularidade, este tempo diferente de observação dos fatos, justifica.
Desta vez, ela foi além. Interiorizou suas emoções e seus sentimentos, como artista plástica e como mãe, e definiu um interessante paralelo. O artista está sempre em processo de parto. Ele tem imagens internas, que precisam ser trazidas para fora, explica.
Na mostra estão quatro instalações, cinco pinturas em objetos e noves objetos variados, em que Bernadete expressa o seu pensamento. Ao esculpir, engomar e tingir panos, por exemplo, ela revela seu interesse por tal material. Tenho fascínio por panos, pois eles permanecem, seguram a memória do tempo, filosofa.
As obras utilizam tecidos, fios e arames. Há também muitos desenhos em costuras, o que resulta em inéditos bordados. Quando eu costuro, crio e represento a força, justifica a artista. Ela diz ainda que seus trabalhos atuais são o resultado de imagens internas. São os meus sentimentos e a minha forma de codificá-los liberam estas imagens. Este é o meu processo de criação.
Bernadete garante que todos os espectadores irão se identificar com a sua exposição, independente de serem artistas ou de já terem vivenciado a experiência da maternidade. Todos concebem, geram e parem uma série de coisas diariamente, comenta.
Partos Nossos de Cada Dia, exposição da artista plástica Bernadete Amorim. Abertura hoje, às 18 horas. A mostra poderá ser vista até dia 18 de julho no Museu de Arte do Paraná/MAP (Rua Dr.Kellers, 289), em Curitiba.


