Uma mulher que conseguiu driblar o destino
Não será por falta de assunto que Elza deixará de ser um bom filme. Afinal, a cantora viveu uma das existências mais movimentadas de que se tem notícia. Elza Soares cresceu na miséria em Padre Miguel, no Estado do Rio. Casou-se aos 13 anos e logo ficou grávida do primeiro filho. O marido trabalhava numa pedreira.
Quando começou a cantar - e a fazer sucesso - a vida de Elza mudou radicalmente. Da favela da infância, passou a morar numa cobertura do Leme ou em casas com 30 quartos. Depois, houve o caso rumoroso com Mané Garrincha, um ídolo nacional, casado e pai de nove filhas. Elza e Mané eram, e são, exemplos excepcionais de brasileiros que vieram do nada e subiram socialmente pelo caminho do esporte ou do entretenimento. São as únicas vias de ascensão disponíveis para as classes pobres, para os negros sobretudo, como lembrou o historiador Eric Hobsbawn falando dos ídolos da música nos Estados Unidos lá, o jazz, o basquete e o boxe; aqui, o samba e o futebol.
Elza e Mané, pelo talento pessoal, conseguiram ir além de suas possibilidades de início. Tornaram-se ricos e famosos. Num determinado momento de suas vidas ficaram juntos, tiveram filhos e viveram sua porção de amor e tragédia. Garrincha levou a vocação trágica até o fim. Morreu em 1983, de uma série de problemas de saúde decorrentes do alcoolismo. A história recente de Elza tem sido bem mais feliz.
Extravagante e cheia de energia, ela continua cantando com sua voz rouca, inconfundível. É uma diva da música popular brasileira e uma mulher que conseguiu dobrar o destino segundo sua vontade. Como tal deve ser tratada nesse filme em sua homenagem.





