Uma mulher que 'colhe frutos há nove décadas'
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de janeiro de 2004
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba Durante duas tardes, o apartamento em que Helena Kolody mora, no centro de Curitiba, se transformou em set de filmagem para o documentário ''Helena de Curitiba''. Quando a equipe encerrou o trabalho, na última quinta-feira, Helena pediu para ir ao seu quarto, descansar. ''Não estou cansada das filmagens. É que meus 91 anos estão começando a pesar'', brincou a poeta. Com bom humor, uma das escritoras mais conceituadas do Paraná diz que a vida a ensinou a amar. ''Amar com o coração, sem julgar, essa é uma das maiores lições que posso tirar da vida.''
Helena recebe com modéstia a homenagem realizada com o filme. ''Eu não merecia. O que eles estão fazendo faz com que eu pense na responsabilidade que é viver. Que bom se a gente pudesse deixar só boas lembranças'', diz. Numa rápida análise sobre o documentário, a poeta conta que o filme revela pontos essenciais da sua vida, como a infância e os seus 26 anos como professora do Instituto de Educação do Paraná.
O resgate de fatos que marcaram a vida da escritora, faz também com que ela reflita sobre o seu trabalho e a sua obra. ''A gente precisa despertar o lado bom das pessoas em tudo o que fazemos e para isso não há nada melhor do que o amor e a convivência'', ensina. Ela lembra um caso que a marcou na sua juventude: ''Quando eu era professora, um colega observou que as letras do meu nome agrupadas e ao contrário formavam a frase 'ela colhendo'. É assim que me sinto, colhendo os frutos que plantei nessas nove décadas''.
Helena vive com a irmã, Olga, em um pequeno apartamento próximo à escola onde lecionou por tanto tempo. Nas paredes, retratos dela recebendo homenagens e poemas emoldurados evocam a importância da sua obra. Parte do trabalho da escritora poderá ser conferido em ''Helena de Curitiba''


