Nascida em Bermersheimn, na Alemanha, Hildegard Von Bingen foi a décima filha de um casal chamado Mechtilde e Hildebert, que conferiu sua educação a Jutta de Spanheim, líder superiora de um monastério beneditino de Disibodenberg, a partir dos oito anos de idade. Mais que influência, o meio em que foi criada acabou por despertar em Hildegard uma vocação religiosa. Tanto que, aos 38 anos, com a morte de sua tutora, Jutta, tornou-se líder de um pequeno convento de freiras que se desenvolveu em Disibodenberg.
Ao que tudo indica, Hildegard nasceu para ser uma pessoa iluminada. Contam seus biógrafos que a partir de 1141 ela passou a ter experiências visionárias, em forma de luz e voz. Numa dessas visões foi ‘‘autorizada’’ a descrever o que viu e ouviu. Isso resultou em seu primeiro grande trabalho teológico, denominado Scivias.
Coincidentemente, tempos depois Hildegard passou por alguns problemas de saúde o que, para muitos céticos, acabou por gerar comentários associando as visões a problemas neurofisiológicos. O fato é que seus dons espirituais e intelectuais prevaleceram sobre o duvidoso diagnóstico.‘‘Ela foi uma das poucas mulheres que se destacaram durante a Idade Média. Tanto que foi considerada santa, numa época que quem tinha visões ou era santo ou ia para a fogueira’’ - analisa Elimar Machado.
Seus escritos não se inclinaram apenas ao lado religioso. Ela também embrenhou-se, por exemplo, no caminho da história natural. Dona de uma personalidade forte e polêmica, Hildegard também provocou polêmicas sobre suas idéias sociais e morais - consideradas revolucionárias por uns e conservadoras por outros.
Mas o brilho raro de Hildegard Von Bingen também se manifestou no campo musical. Fenômeno seria a palavra mais apropriada para classificar essa mulher que em pleno século 12 manteve também uma farta produção musical - ao todo - escreveu 77 peças e um auto que até hoje são encarados ao mesmo tempo como um desafio e um prazer para quem os canta. (A.M.J.)

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