Uma mulher e seus fantasmas
Ninguém sairá impune do espetáculo A Mulher, uma livre adaptação do conto Monólogo, do livro A Mulher Desiludida, de Simone de Beauvoir. Dirigida por Lala Schneider, a peça irá estrear em Curitiba no dia 3 de fevereiro. Todos os nós que tentamos desatar estão reunidos numa única personagem, explica a atriz Sílvia Monteiro, que reescreveu o conto e que irá interpretar Muriel, a personagem principal.
O espetáculo é quase um monólogo, já que a protagonista aparece sozinha, em companhia apenas de suas lembranças e fantasmas, que são materializados por sete atores. A idéia surgiu há dois anos, depois que a veterana Lala Schneider leu e adorou esta obra de Simone de Beauvoir. É um conto muito teatral, nunca mais tirei da cabeça a idéia de transformá-lo em peça, justifica Lala.
A atriz Sílvia Monteiro, que foi aluna de teatro de Lala Schneider nos anos 80, aceitou o desafio. Acho que as pessoas têm mesmo que redescobrir a Simone de Beavoir, diz ela. A atriz explica que mesmo as mulheres que já se livraram de todos os pesos e culpas, irão se identificar com a peça, reconhecendo sua mãe, filha, avó ou amiga na protagonista. Lala informa também que o espetáculo não é só para as mulheres. Os homens vão reconhecer as pessoas com as quais convive, além de perceberem o seu próprio papel na vida delas.
Elas explicam que o espetáculo não tem a intenção de ser uma lição de moral, mas apenas de mostrar uma pessoa num momento de crise, o que gera profundas avaliações. Muriel é uma personagem que deve ser analisada, resume Lala. Quanto ao inegável caráter feminista da peça, as atrizes simplesmente explicam que não têm nada a temer. Na opinião de Sílvia, um preconceito social de que a mulher feminista é sempre chata, atrapalha as reflexões. Como a própria Simone de Beauvoir costumava dizer, as vezes, só resta para a mulher ser chata, comenta.
Mas a montagem não tem nada de chato. A tragicomédia, aliás bem cômica, é a história de uma mulher e os fantasmas de dois ex-maridos, filhos, mãe, pai e amigas. Com uma visão feminina e madura do mundo, nem por isso menos engraçada, o texto fala da mulher, sem medo de ser feminista. Por coincidência, a equipe de produção é basicamente formada por mulheres competentes, como a iluminadora Nadja Naira, a figurinista Arlene Sabino e a coreógrafa Ceres Vittori, entre outras.
O elenco é formado ainda por Ceres Vitori, Geisa Costa, Célia Ribeiro, Henrique Bonametti e Fernando de Proença, além dos Los Bonecos Lucas e Anderson.
O espetáculo A Mulher ficará em cartaz de 3 de fevereiro a 8 de março, de quarta a domingo, às 21 horas, no Teatro Lala Schneider, em Curitiba.Marcelo AlmeidaCena de A Mulher: conto de Simone de Beauvoir vai para o palcoSimone Mattos





