Uma mulher de sorte
Foi assim: há um bom tempo Ivete Sangalo estava com vontade de realizar um show em que pudesse resgatar algumas das canções que marcaram sua formação musical. Algumas que, inclusive, chegou a cantar em bares e casas noturnas de Salvador antes de se tornar famosa. Nunca dava. A agenda repleta de shows com seu grupo não permitia. Mas eis que desta vez, aproveitando as férias, resolveu desengavetar de vez o projeto. ‘‘Disse: estou a fim, estou querendo e vou fazer. Mas para isso precisava de alguém me dirigisse e chamei o Gabriel Villela que atendeu ao meu chamado na hora’’- conta a cantora.
Sim, ela pode se dar ao luxo de fazer um espetáculo solo. Afinal, aos 25 anos e há cinco anos à frente de uma das bandas baianas que mais vendem disco (o mais recente trabalho ao vivo já está beirando duas milhões de cópias), Ivete Sangalo tem sobretudo carisma. E uma impressionante voz de contralto. ‘‘Eu tenho sorte, sou uma mulher de sorte pois tenho uma boa banda e um público que me adora’’- diz, sem falsas modéstias.
O ingresso na banda aconteceu em 93. Antes disso, Ivete peregrinava por bares e casas noturnas cantando diversos estilos, além de fazer alguns shows. Em 92, por exemplo, ganhou o troféu Caymmi (uma espécie de Grammy da música Baiana) como cantora revelação com o show ‘‘Músicas’’. Um ano antes já havia aberto um show que Geraldo Azevedo tinha feito em Juazeiro, sua terra natal. Sim, Ivete é conterrânea de João ‘Genial’ Gilberto.
Enfim, veio a Banda Eva. Que começou tímida até ganhar o Brasil de norte a sul, de leste a oeste. ‘‘Não tínhamos idéia do sucesso que temos hoje. É um absurdo a alegria e o carinho que o público tem por nós. E teremos vida longa porque nossa vontade sempre foi e é de fazer sempre um trabalho de qualidade’’- diz ela.
Claro, grande parte do sucesso da banda se deve ao carisma de Ivete. Que como todo ídolo recebe mimos dos mais diversos. Cartas, por exemplo, chegam cerca de 900 por mês, bem como cerca de 20 e-mails que caem em sua rede quase todo o santo dia. ‘‘Não há ciumeira entre nós porque somos amigos mesmo. E, de mais a mais, os músicos têm discernimento de saber que um líder sempre tem uma notoriedade maior’’- explica.
Sendo assim, não haverá problema nenhum se ela resolver seguir carreira solo ou paralela à banda, assim como acontece com Herbert Vianna e o seu Paralamas dos Sucesso. Ivete não diz nem que sim nem que não. Não sabe, ou não quer dizer ainda, se ‘‘Essa É Pra Tocar no Rádio’’ pode se transformar em disco. ‘‘O próprio show é quem vai dizer se isso é possível ou não’’- despista. Com ou sem banda, o fato é um só: independente do estilo, Ivete é não é apenas uma boa cantora. É uma intérprete de mão cheia mesmo quando canta músicas feitas sob encomenda para dials e quadris.
(A.M.J.)

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