ReproduçãoElla nunca
deixou que as
pressões a levassem
para o álcool ou
as drogasA biografia de Ella Fitzgerald (1917-1996), considerada a maior cantora norte-americana, será lançada na Bienal Internacional do Livro. Escrita pelo jornalista inglês Stuart Nicholson, um estudioso do jazz, ‘‘Ella Fitzgerald - Uma Biografia da Primeira Dama do Jazz’’ é um dos principais lançamentos da Editora José Olympio no evento.
Embora tenha escrito uma biografia não autorizada (a cantora se recusou a dar entrevistas para o livro, lançado em 1993, na Inglaterra, chegando mesmo a desencorajar a publicação), Stuart Nicholson deixa em segundo plano a vida amorosa e pessoal de Ella Fitzgerald para enfatizar seu lado musical e artístico - coisa rara em se tratando de biografia não autorizada de gente famosa. O resultado é um relato factualmente confiável da vida da artista, que aborda, quando preciso e sem sensacionalismos, aspectos da vida pessoal de Ella.
Filha ilegítima de um motorista de carreta e de uma lavadeira, Ella ficou órfã aos 15 anos de idade. Fugiu de um orfanato no Bronx dois anos depois e teve que se virar sozinha pelas ruas do Harlem. ‘‘De adolescente de rua, transformou-se em milionária aos quarenta e poucos anos’’, aponta Nicholson. Segundo o autor, Ella teve a habilidade de sobreviver em meio ao mundo machista do jazz.
Sucesso ‘‘A profissão de jazzista é extremamente exigente e precária, especialmente para uma mulher’’, afirma. ‘‘Ella, entretanto, nunca deixou que as pressões a levassem para o álcool ou as drogas; em vez disso, criou nervos de aço’’. O livro conta toda a ascensão profissional da cantora, que fez sua estréia em disco em 1934, com a orquestra de Chick Webb. Seu primeiro grande sucesso aconteceria quatro anos depois, com a canção ‘‘A-Tisket, A-Tisket’’, que venderia um milhão de discos por ano.
Vinte anos depois de sua estréia, a gravadora Decca ofereceu-lhe uma festa no centro de Manhattan para celebrar a marca de 22 milhões de discos vendidos. ‘‘A carreira dela decolou mesmo logo depois disso, quando assinou contrato com a gravadora Verve’’, aponta Nicholson. ‘‘O álbum Cole Porter Songbook, que viria a ser um marco em sua carreira, se tornaria um dos LPs mais vendidos de todos os tempos.’’
Em um dos poucos trechos em que faz um balanço da vida pessoal de Ella, Nicholson fala de seus casamentos e de seus amores esporádicos e resume: ‘‘Dois casamentos fracassados e um relacionamento distante com o filho adotivo Ray Jr. foram o preço de uma vida passada na estrada e nos estúdios de gravação’’. Segundo Nicholson, até o aparecimento de sérios problemas de saúde no início dos anos 70, ela trabalhou continuamente entre 45 e 48 semanas por ano.
Leia mais sobre livros na página 6.

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