Todo mundo já encontrou um garoto maluquinho. Não é difícil encontrar um, seja em cima do telhado ou debaixo da cama. Ou até mesmo dentro de um livro, de um gibi. Mas se você tentar encontrar uma garota maluquinha, terá mais trabalho. Terá que procurar, procurar e procurar. Elas não são figurinhas fáceis.
Se você já tentou de tudo e não conseguiu encontrar nenhuma menina maluquinha, aqui vai uma dica. É só abrir um livro chamado ‘‘Píppi Meialonga’’ e o problema estará resolvido. A obra, de autoria da escritora sueca Astrid Lingren, acaba de ser publicada pela Editora Companhia das Letrinhas.
O livro narra as aventuras de Píppi Meialonga, uma autêntica garota maluquinha – além de ser a menina mais forte do mundo. Ela é capaz de carregar dois elefantes ao mesmo tempo, um em cada mão. Com nove anos de idade, vive sozinha, sem pai, nem mãe. Como companhia tem dois animais de estimação, um cavalo e um macaquinho chamado Senhor Nilson.
Píppi perdeu a mãe quando ainda era bebê. Foi criada pelo pai a bordo de um navio que percorria os sete mares. Viveu anos felizes ao lado do pai, conhecendo todos os continentes e as pessoas mais diferentes. Mas, um belo dia, o pai caiu no oceano e nunca mais foi visto. Virou comida de tubarão.
Então Píppi foi morar sozinha numa casa que seu pai tinha comprado numa pequena cidade. Fazia sua própria comida e costurava as próprias roupas. Não dependia de ninguém. E o melhor, fazia tudo o que tinha vontade, ser ter nenhum adulto dando ordens para isso ou aquilo. Dormia a hora que bem entendesse, tomava banho quando tinha vontade e comia apenas as coisas que gostava. Em outras palavras, vivia como toda criança sonha viver: livre.
Píppi tinha suas esquisitices, que não eram poucas. Para dormir, por exemplo, colocava os pés no travesseiro, não a cabeça. Também tinha mania de roer as unhas dos pés. Usava um sapato dez números maior que seu pé e regava o jardim nos dias de chuva. Tudo o que fazia tinha que ser divertido, até lavar a cozinha. E se as coisas não fossem divertidas, dava um jeito de transformá-las em brincadeiras.
Logo após instalar-se em sua nova casa, Píppi ganha dois amigos, os irmãos Tom e Aninha que moravam na casa ao lado. Tom e Aninha levavam uma vida bem diferente da de Píppi. Obedeciam pai e mãe, possuiam horário para tudo, iam à escola, faziam tarefa e outras coisas. Em outras palavras, eram comportados, exatamente o oposto de Píppi, que estava sempre pronta para uma nova loucura. Mesmo assim uma forte amizade teve início, sempre costurada com aventuras e brincadeiras.
Astrid Lindgren escreveu ‘‘Píppi Meialonga’’ há 55 anos, em 1945. Sua intenção era oferecer a história como presente de aniversário à filha, que completava 10 anos de idade. Com mais de 80 livros publicados, a escritora é um nome de destaque da literatura infanto-juvenil européia.
Em ‘‘Píppi Meialonga’’ a autora não faz nenhum juízo de valores morais; apenas apresenta Píppi como ela é: uma criança não-convencional. Aponta para as diferenças que existem entre as pessoas, entre seus modos de viver. Assim, o processo de aceitar cada pessoa do jeito que ela é, quando visto de fora, pode parecer uma fantasia. Do mesmo modo como a fantasia parece realidade quando é sentida com o coração.
• Píppi Meialonga - De Astrid Lingren, ilustrações de Micheael Chesworth, Editora Companhia das Letrinhas, tradução de Maria de Macedo, 158 páginas, R$ 19,50.

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