Uma melancolia chamada Miles Davis
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de setembro de 2001
Rodrigo Souza Grota<br> De Londrina 
Em 28 de setembro de 1991, há quase dez anos, morria não o maior músico da história do jazz, mas talvez, o maior símbolo desse gênero que mudou os rumos da música ocidental no século XX. Morria Miles Davis, simplesmente o maior trumpetista de todos os tempos.
O endereço www.milesdavis.com é o website oficial do músico nascido em Alton, Illinois, em 26 de maio de 1926. Definir Miles é uma tarefa complicada para uma homepage, que mesmo com seu espaço aparentemente infinito, não daria conta de tamanha personalidade. Miles não era só um músico, era um emblema de uma era, um símbolo de uma raiva contra o preconceito e a negação aos experimentalismos, tanto na arte quanto na vida.
Seu rosto era impassivo. Quem se lembra dele sorrindo? Imagens raras, exibidas pelo documentário ''Jazz'', de Ken Burns, mostram um Miles contente por breve período, quando esteve namorando a musa do existencialismo francês, Juliette Greco. Ele chegou a frequentar cafés com Jean-Paul Sartre e Picasso, mas logo retornou à melancolia que a realidade lhe impunha. Não havia como ele escapar, ele não era como os outros...
Toda a genialidade do músico que tocou com grandes como Charlie Parker e Dizzy Gillespie, está detalhada em seis links na homepage mantida e criada pela LLC and The Estate of Miles Davis. O visual é refinado e composto pelo azul tão triste das músicas de Miles, como a agitação contida de ''Nardis'' ou a viagem às trevas do álbum ''Sketches of Spain''. Links como ''music'' trazem a possibilidade do internauta ''baixar'' (realizar download) versões em mp3 de primorosas melodias como ''The Doo Bop Song'', ''Human Nature'', ''Mystery'', ''New Rumba'', ''So What'' e ''Summertime''. Também pode ser acessado o vídeo ''All Blues'', mostrando as pretensões do líder do álbum que mudou a história da música precisamente em 1959, ''Kind of Blue''. O disco mais vendido na história do jazz reuniu um time formado por feras do calibre de John Coltrane, Bill Evans, Connenball Adderley, Paul Chambers e Miles, é claro.
Outros links como ''art'', ''merchandise'', ''legacy'', ''biography'' compilam a trajetória do músico em algumas fases: a parceria inicial com Parker e Gillespie, a atração pelo cool da west coast, os históricos quintetos e sextetos, a invenção do fusion-rock. Tudo antecedendo o fim, melancólico como era próprio de Miles, mas que nunca diminuiu a grandeza do homem que pode ser sintetizado em uma frase que lhe foi atribuída: ''Nada escapava aos seus olhos''. E nem à sua música.
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