Dizia Stanley Donen, gênio por trás de alguns dos melhores musicais da história do cinema (''Cantando na Chuva'', ''Um Dia em Nova York'', ''Sete Noivas para Sete Irmãos''), que o motivo mais plausível para os personagens cantarem e dançarem nos filmes do gênero era demonstrar alegria - Donen, claro, nunca tinha ouvido falar de Tim Burton ou de ''Sweeney Todd'', mas esta é uma outra história...
Se algo define a música dos Beatles é precisamente a capacidade que tinham para contagiar com gana de viver quem a ouvisse. Unindo o gênero musical e as canções dos Fab Four, a diretora Julie Taymor (''Titus'' e ''Frida'') dirigiu este ''Across the Universe'' (sem título em português), algo assim entre uma nova referência para o musical contemporâneo, e uma mescla do barroquismo de Baz Luhrmann (''Moulin Rouge'') com a estética dos anos 1970 de ''Hair''. O filme estréia hoje na cidade (veja a programação de cinema na página 2), e concorre ao Oscar de melhor figurino.
(Hey) Jude é um jovem que trabalha nas docas de Liverpool (e onde mais ?!). Ele vai a Nova York à procura do pai. Ali, no campus da universidade de Princeton, se torna amigo do rebelde e inconformista Max, irmão de Lucy (In the Sky With Diamonds), jovem com cara de princesa que acaba de se despedir do noivo, morto na guerra do Vietnã. Jude, Max e Lucy se mudam para o Greenwich Village, onde dividem apartamento com (Sexy) Sadie, roqueira com voz parecida a de Janis Joplin, mais o guitarrista Jo-Jo, meio aparentado com Jimi Hendrix, e (Dear) Prudence, uma jovem secretamente apaixonada por Sadie.
Liderados por Dr. Robert (Bono U2) e Mr. Kite, todos embarcam em viagens diversas, principalmente de tomada de consciência diante da guerra do sudeste asiático, do assassinato de Luther King, dos distúrbios de Detroit, do significado e da importância dos direitos civis. Como os beatlemaníacos perceberam, os nomes dos personagens são referencias às musicas, e o filme está recheados de citações e homenagem ao quarteto.
''Across the Universe'' é um espetáculo tocante, divertido, apaixonante. Graças a um trabalho coletivo da produção, a um elenco jovem e desconhecido que assumiu com garra a tarefa de cantar e dançar. Mas graças mesmo, e principalmente, as 33 canções dos Beatles que encharcam a narrativa de velhos, bons e imortais fluidos. (C.E.L.J.)

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