Mesmo com ''Revelação'' já gravada, Íris Abravanel não descansa. A autora já trabalha em cima da adaptação de ''Vende-se um Véu de Noiva'', radionovela de Janete Clair que substituirá ''Revelação'' em 2009. E, apesar de saber que corre o risco de ser criticada por ser a mulher de Sílvio Santos, aproveita a proximidade com o ''chefe'' para se sentir mais segura. Por exemplo, ela tem certeza de que o marido não tirará sua novela do ar. Nem mudará o horário sem aviso prévio. ''Ele já viu que não funciona. Só afasta ainda mais o público'', reconhece.
Apesar de admitir que Sílvio não tinha opções melhores quando precisava de um autor, Íris assume que sempre pensou em escrever uma novela. Chegou a ensaiar isso ao lado do então chefe Walcyr Carrasco, na década de 80, na redação da revista ''Contigo!''. Mas só tomou coragem para sair do conforto de seu lar e virar funcionária do marido quando ficou cansada de ver produções estrangeiras adaptadas para o SBT. Aproveitou o final da parceria da emissora com a Televisa para colocar seu plano em prática. ''Sempre me senti capaz. E passei por vários testes antes de ser aprovada na função'', defende-se.
A bateria de provas foi longa. Primeiro, Davi Grimberg, então diretor de teledramaturgia, pediu uma história. Depois de aprovado o tema central, Íris precisou desenvolver uma sinopse, que chegou a ser mexida. Logo em seguida, quebrou a cabeça para digitar seus dez primeiros capítulos. E todos eles necessitaram do auxílio de Yves Dumont, seu supervisor de texto, para serem adaptados à realidade da emissora. ''Escrevi uma enchente e um apagão em São Paulo. Aí o Davi me explicou que tinha de ser tudo na cidade cenográfica. Assim, para apagar as luzes das casas, era só desligar uma chave'', ri, envergonhada.

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